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A história da fundação da primeira Cooperativa de Crédito das Américas, a Caisse Populaire de Lévis, em Quebec no Canadá

August 25th, 2011 No comments

Estivemos no dia de hoje no distrito de Lévis, na cidade de Quebec, que fica no estado de mesmo nome (Quebec), no Canadá. Tivemos a oportunidade de escutar do Sr. Pierre Poulin, Historiador da Sociedade Histórica Alphonse Desjardins, a história da fundação da 1ª cooperativa de crédito das Américas, a Caixa Populaire de Lévis.

O ano de 1900

No ano de 1900 a população do Quebec era de 1,6 milhões de habitantes e 2/3 da população residia em áreas rurais. As condições de vida eram muito difíceis, havendo desemprego na cidade e atraso na mecanização agrícola no meio rural. Neste cenário, com a ausência de bancos para financiar o desenvolvimento as pessoas emigravam para os Estados Unidos.

Alphonse Desjardins

Alphonse Desjardins

Neste cenário, Alphonse Desjardins, em 1893 já tinha várias anotações buscando uma solução para estas dificuldades. Ele era uma pessoa muito preocupada com as questões sociais. Foi também conselheiro de administração da Câmara de Comércio de Lévis. Desjardins foi jornalista (1872 a 1879), relator de debates na Assembléia Legislativa de Quebec (1879 a 1890) e após foi proprietário de seu próprio jornal (1891) em Lévis. Em 1892 ele se torna estenógrafo francês da Câmara dos Deputados em Ottawa (1892 a 1927). Apesar disto, ele continuou a morar em Lévis, 600Km distante de Ottawa, residindo em Ottawa por 6 meses por ano. Por este motivo a esposa de Desjardins foi fundamental, anos mais tarde, para manter o trabalho de Desjardins nas Caisses Populaires (Cooperativas de Crédito).

No período em que esteve em Ottawa aconteceu um debate na Câmara de Comuns onde houve a condenação de um tomador de crédito que teve de pagar $ 5 mil de juros para um empréstimo de $ 150. Este foi um fato marcante para Desjardins que buscou alternativas para tais situações. Pouco depois Desjardins toma contato com o livro “People´s Bank” que falava do movimento das cooperativas de crédito na Europa. A partir daí ele buscou o contato por correspondência com pessoas da Europa que eram referência no cooperativismo.

A Caisse Populaire de Lévis

Em 06/12/1900, Alphonse Desjardins fundou a Caisse Populaire de Lévis com a ajuda de outras pessoas que já atuavam em uma sociedade mutual existente no Quebec. O modelo criado por Desjardins reunia características do modelo de Raiffaisen, de Luzzati e de Schulze-Delitsche.

A cota capital inicial em 1900 era de $ 5 (5 dólares), valor este praticado por todas as Cooperativas de Desjardins até hoje. À época este valor equivalia a 1 semana de salário. Para viabilizar a integralização foi viabilizado o parcelamento deste valor de 12 meses, com parcelas semanais de $ 0,10. As Caisses eram abertas a todos, atuando em territórios limitados e com a valorização do Fundo de Reserva, visto ser a única forma de financiar o crescimento das Caisses.

Nos anos seguintes a 1900 apenas outras 3 Caisses foram fundadas. A preocupação neste período era o reconhecimento jurídico das Caisses em nível federal. Como isto não aconteceu ele contentou-se com uma lei estadual, em 1906, regulamentando o funcionamento das Caisses. A 2ª cooperativa foi fundada em 1902 em Ottawa, justamente por Alphonse Desjardins estar seguidamente nesta cidade.

Casa de Alphonse Desjardins em Lévis, Quebec

Desjardins contou com o apoio do clero católico, que era muito importante na época. Antes de fundar uma nova Caisse, Desjardins queria ter a certeza de que haveria o apoio do padre da paróquia. Durante os primeiros 6 anos de funcionamento da Caisse as atividades da mesma eram realizadas na casa de Alphonse Desjardins.

Em 1903, a esposa de Desjardins (Dorimène Desjardins), vendo que o esposo preocupava-se por não encontrar alguém que o substituísse quando ele ficava 6 meses em Ottawa, ofereceu-se para substituir o marido nestes períodos. Ela tinha 10 filhos, sendo que o mais novo havia nascido no ano anterior. Ela foi gerente da Caisse de 1903 a 1906, quando foi contratado um novo gerente. Foi a esposa de Desjardins que apoiou a criação da Caisse Regional de Lévis.

O escritório de Alphonse Desjardins ficava logo na entrada da casa. Foi neste espaço que a Caisse funcionou por 6 anos.

A conquista de uma Legislação própria

Em 1906, com a legislação estadual, Alphonse Desjardins, articulou a criação de outras 136 Caisses Populaires, no período de 1907 a 1915, sempre com o apoio dos padres e dos nacionalistas. Foram fundadas 19 Caisses em Ontário e 9 nos Estados Unidos, em regiões em que os imigrantes canadenses haviam ido. Está em Manchester uma cooperativa que completou 100 anos em 2008.

Cada Caisse Populaire era autônoma, e Alphonse Desjardins era apenas uma autoridade moral, mantendo um contato por cartas (normalmente longas) com os gerentes das Caisses, apontando erros na contabilidade e orientando as mesmas. Ele orientou as Caisses a fundar uma organização regional, mas seu estado de saúde não lhe permitiu mais ver a fundação desta entidade, tendo falecido em 1920. Haviam na época 140 Caisses ativas com 30 mil associados e ativos de $ 6 milhões. As caísses ainda eram frágeis, ficando localizadas no presbitério, na casa de agricultores, …

O período de 1920 a 1932

Entre 1920 e 1932 foram constituídas 4 uniões regionais e em 1932 foi constituída uma federação regional. O papel destas entidades era fazer a fiscalização das caísses de igual forma em todo o estado, fundar caísses e gerir a liquidez. Em contra-partida o governo fomentava com $ 20 mil/ano a fiscalização das caísses.

O período de 1936 a 1960

Sede da Caisse Lévis por ocasião da comemoração de seus 50 anos, em 1950

No período de 1936 a 1960, motivados primeiro pela grande depressão econômica, que provou um movimento de organização econômica se precedentes para contornar a pobreza, e posteriormente pelo grande crescimento do Canadá no período pós guerra, foram constituídas 1.059 novas Caisses. O objetivo antes da guerra era o de financiar os produtos rurais e no pós guerra as cooperativas tornaram-se muito mais numerosas nas cidades financiando o crédito hipotecário. No final deste período as caísses administravam ativos superiores a $ 600 milhões.

Em 1949 criou-se o Fundo Garantidor para apoiar cooperativas com dificuldades.

A diversificação e a evolução da legislação

O período de 1944 a 1971 foi marcado pelo surgimento de um grupo econômico diversificado com a criação  de duas companhias de seguros para bens e pessoas, uma sociedade de fidúcia, de fundos de investimento e uma sociedade de investimento. Este período foi favorecido pela flexibilidade da legislação estadual. Por fim, a ausência de uma legislação federal favoreceu o crescimento das Caisses de Desjardins, pois a legislação estadual sempre foi mais ágil nas regulamentações e adaptações necessárias.

Sede da Federação das Caisses de Desjardins

Em 1971 a legislação ampliou os poderes da Federação Estadual.  

Desde 1982, as Caisses fazem parte do Sistema de Pagamentos do Canadá, tendo os mesmos direitos e deveres que os Bancos Canadenses, podendo inclusive operar com o governo estadual e federal, havendo hoje uma forte relação negocial.

A Caisse de Lévis, é atualmente uma das 5 maiores Caisses de Desjardins, sendo que nas Assembléias a participação é de 10% dos associados.

Por Márcio Port, direto de Lévis, no Quebec

Desjardins e o Circo de Soleil

August 25th, 2011 No comments

Circo de Soleil

Chegamos à Quebec, cidade de 600 mil habitantes leste do Canadá e que fica no estado também chamado de Quebec. Aqui conheceremos a Federação das Cooperativas de Desjardins e também a história da fundação da primeira cooperativa no ano de 1900. No dia de hoje fizemos 2 visitas ainda em Montreal e em breve um breve relato estará disponível.

Ao chegarmos em Quebec ficamos sabendo que estava acontecendo um espetáculo do Circo de Soleil, ao qual alguns dos integrantes do grupo foram assistir.

Para quem desconhece o vínculo do Circo de Soleil com o cooperativismo de crédito  leia o texto abaixo retirado de uma matéria já publicada neste mesmo site anos atrás:

"no estado de Quebec, o cooperativismo detêm mais de 50% do mercado financeiro. Veja o caso do Circo de Soleil, que é da região de Quebec. Eu estive lá e conheço bem esta história. Quando foi montar o Cirque du Soleil, o seu idealizador, que era um daqueles comedores de fogo, foi procurar o sistema bancário para dizer "Olha, financia este projeto". O que ele ouviu foi alguma coisa como "Acha que sou maluco, rapaz? Vou botar o meu dinheiro aí no fogo, pra vocês comerem? Que história é essa?". Resumindo, o banco não financiou. Ele foi buscar apoio no sistema cooperativista da região, que começou a apoiá-lo com pequenos recursos. E foi o modo como ele conseguiu montar o circo. Veio o sucesso - porque de fato há empreendedores que só precisam, mesmo, de recursos... O circo cresceu e o sistema cooperativista da região já não tinha mais capacidade operacional para suprir todas as necessidades de financiamento do Circo de Soleil. Então, o que o Soleil passou a fazer ? Passou a fazer uma espécie de leilão com os bancos. "Olhem, estamos precisando de US$ 1 milhão. Vocês nos oferecem a quanto?". O poder de barganha mudou de lado... Exatamente. O circo passou a ter o poder de dizer assim: "Eu quero um milhão", porque o negócio virou um sucesso e os bancos viam o empreendimento com outros olhos. Mas mesmo na nova fase o Circo de Soleil só recorria ao sistema bancário quando o sistema cooperativista declarava algo como "Olha, nesse nível nós não temos os recursos suficientes para bancar o seu projeto.". A preferência deles sempre foi pelo sistema cooperativista. É uma história lá de fora, mas se nós olharmos determinadas regiões do Brasil veremos que também ocorre essa concorrência das cooperativas, esta capacidade de impor uma puxada de juros para baixo.... Há pessoas que operam exclusivamente com o sistema cooperativista. Assim como há pessoas que não conhecem bem o sistema cooperativista e entram porque acham que se trata de crédito fácil... Tem de tudo aí."

Por Márcio Port, direto de Quebec, no Canadá

O Centro de Estudos Desjardins na HEC Montreal, no Canadá

August 23rd, 2011 1 comment

A HEC Montreal (Hautes Etudes Commerciales), ou Centro Superior de Estudos  Comerciais, tem 12 mil estudantes e foi fundada em 1907, sendo que 32% dos alunos não são canadenses.

Instalações físicas da HEC Montreal

Em 1975 surgiu o Centro de Gestão de Cooperativas com atuação em todos os ramos cooperativos. Em 2001 os estudos focaram-se apenas no cooperativas de crédito assumindo o nome de Centro de Estudos Desjardins (Centre d´études Desjardins ne gestión). A partir daí houve a internacionalização dos trabalhos, sendo que atualmente trabalham fortemente com a Europa, principalmente com o Credit Agricole e Rabobank, mas também com o Credicoop e Cooperativas Chinesas.

O Observatório Internacional das Cooperativas de Crédito

O Centro de Estudos de Desjardins está elaborando um banco de dados com informações de todas as cooperativas do mundo para poder melhor dimensionar o real tamanho do Cooperativismo de Crédito Mundial. O endereço que abriga os estudos já existentes é o http://observatoire.coopfinance.hec.ca

Observatório Desjardins

Ao iniciar o trabalho com as cooperativas de crédito percebeu-se a falta de dados financeiros do ramo. Foi criada uma base de dados onde estão sendo consolidados os dados do cooperativismo mundial. Foi criada também uma biblioteca virtual com todos os dados disponíveis. Para poder divulgar as informações já catalogadas é necessária a autorização de cada cooperativa ou sistema. Até o momento 29 instituições assinaram o acordo de licença, a Europa e a América Latina foram prioritárias. Outras 32 licenças estão em discussão.

O objetivo é de conseguir tornar este observatório disponível para acesso, com dados 100% atualizados, no ano de 2012, o Ano Internacional das Cooperativas.

Por Márcio Port, direto de Montreal no Canadá

A evolução do mercado financeiro canadense nos últimos 10 anos

August 23rd, 2011 No comments
Bandeira do Canadá

Nos últimos anos aconteceu no Canadá uma evolução das transações financeiras caminhando de um modelo de maior contato físico para a evolução acelerada de transações via internet e ferramentas automatizadas (crédito pré-aprovado). Esta evolução levou o número de transações eletrônicas do Movimento de Desjardins de 12% em 1990 para 65% em 2000 e 92,7% em 2010. Este aumento vai permitir a redução da quantidade de postos de serviço visando a redução de custos.

As Cooperativas de Desjardins como reguladoras dos preços de mercado

Movimento de Desjardins

Também neste período o mercado acelerou sua competitividade e as taxas de juros ficaram cada vez mais parecidas entre os bancos e as cooperativas. A grande questão é que, como Desjardins domina praticamente 40% do mercado do estado de Quebec, os grandes bancos não tiveram opção a não ser baixarem suas taxas de juros para se aproximar do que praticava Desjardins tentando assim manterem ou aumentar sua fatia de mercado. Com isto hoje as taxas de juros já não são mais tão diferentes, pois as cooperativas de crédito já cumpriram seu papel de regular os preços do mercado.

Atualmente as maiores Cooperativas de Desjardins não estão nas grandes cidades e sim nas pequenas capitais regionais, isto devido à maior participação local que as cooperativas tem nas pequenas comunidades.

Atualmente Desjardins tem 1.400 pontos de serviços no Quebec e Ontário, tendo 55% de todas as agências bancárias no Quebec, 50% dos caixas automáticos.

Em função da novo estudo incluído na Basiléia III, o Movimento Desjardins passou a reforçar sua destinação ao fundo de reserva, sendo que nos últimos 2 anos cerca de 80% das sobras foram conduzidas para reservas e nos anos anteriores as destinações eram de cerca de 50%. Neste mesmo período os resultados foram majorados em relação aos anos anteriores, justamente para reforçar as reservas.

Por Márcio Port, direto de Montreal no Canadá

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A Estrutura de Governança de Desjardins, no Canadá

August 23rd, 2011 No comments
Movimento de Desjardins

O Movimento de Desjardins, formado por 451 cooperativas de crédito singulares e que conta com 6 milhões de associados, estruturou-se para atender às boas práticas de governança corporativa criando uma sistemática de representação das cooperativas de crédito junto à Federação das Cooperativas de Desjardins.

No Movimento de Desjardins, existe 1 federação, 17 conselhos regionais (sendo 16 em Quebec), 4 diretores regionais e 1 Presidente de todo o Movimento Desjardins. Os Presidentes dos Conselhos Regionais são Presidentes de Cooperativas de Crédito e não tem remuneração como enquanto conselheiros regionais.

O voto proporcional

A representação das cooperativas junto ao Movimento de Desjardins tem relação direta com a quantidade de associados de cada cooperativa, sendo que cada cooperativa tem de 1 até 5 votos, proporcionalmente ao seu número de associados. A cada 5 mil associados a cooperativa tem 1 voto a mais.

Existe um conselho dos representantes formado por 10 presidentes das cooperativas e 5 Diretores Gerais, sendo estes diretores os Diretores Executivos das maiores cooperativas de Desjardins. Estes representantes automaticamente fazem parte do Conselho de Administração da Federação. Na Assembléia Geral da Federação é eleito o presidente de todo o Movimento e 4 diretores gerais, sendo que cada um pode permanecer no cargo por 2 mandatos, sendo cada mandato de 4 anos.

Organograma do Movimento de Desjardins

Como ler o organograma acima?

  • Os 5,8 milhões de associados estão ligados a uma das 450 cooperativas de crédito,
  • em cada cooperativa de crédito são eleitos os dirigentes (presidente e conselhos), totalizando 5.900 pessoas eleitas. Nas cooperativas o órgão máximo é a assembléia geral, seguida do conselho de administração e do conselho fiscal.
  • As cooperativas de crédito estão reunidas em regionais, sendo que atualmente existem 17 regionais,
  • Para representar cada uma destas regionais são eleitos 10 dirigentes e 5 Diretores Gerais, totalizando 15 pessoas em cada região X 17 regiões = 255 pessoas,
  • Estas 255 pessoas formam a Assembléia dos Representantes, somados à eles o Presidente do Movimento de Desjardins,
  • Na Assembléia Geral da Federação participam os delegados de cada uma das 451 cooperativas, respeitando-se a proporcionalidade do voto de cada cooperativa, que pode variar de 1 a 5 votos conforme a quantidade de associados de cada uma,
  • A Assembléia Geral da Federação elege o Conselho de Ética e o Conselho de Administração da Federação,
  • O Conselho de Administração da Federação de Desjardins é formado por 22 membros, sendo os 17 presidentes das regiões, 4 Diretores Gerais e mais o Presidente do Movimento de Desjardins,

Em 1977 foi criada uma Associação dos Diretores Gerais e recentemente uma Associação dos Presidentes. Estas entidades são fazem parte da governança de Desjardins. Na Associação dos Diretores Gerais são compartilhadas as melhores práticas e discutidos assuntos comuns deles. Apesar de não influenciarem na governança de Desjardins e nem aparecerem no organograma abaixo, os dois fóruns de discussão são normalmente consultados sobre as mudanças e inovações que estão por ocorrer.

Desde 2005 foram trabalhados um conjunto de 13 formações para os administradores eleitos, buscando a formação profissional e nivelamento deles. Este trabalho foi necessário buscando haver um maior equilíbrio no relacionamento entre o Presidente e o Diretor Geral de uma cooperativa.

Tivemos contato também neste dia de estudos em Montreal com um Presidente e um Diretor Geral de uma Cooperativa de Crédito de Desjardins. Na conversa nos foram passadas diversas informações sobre o dia-a-dia da governança cooperativa e ficaram registrados como aspectos marcantes:

  • A participação nas assembléias é de 1 a 2% dos associados, mas ao final de cada ano todos os associados recebem uma correspondência falando do exercício findo. Existe uma grande dificuldade de atrair o público jovem para as assembléias;
  • Não existe nenhum trabalho de formação com os associados, apenas a participação em eventos da comunidade;
  • O Presidente do Conselho não tem expediente na cooperativa. Em conjunto com o Diretor Geral ele prepara a reunião do Conselho. O Presidente e o Diretor Geral não têm contato freqüente. Existem também 2 vices-presidentes e 1 secretário.

Por Márcio Port, direto de Montreal no Canadá

Operações com Pessoas Jurídicas no Movimento Desjardins, no Canadá

August 23rd, 2011 No comments
Movimento de Desjardins

No Movimento de Desjardins, das 451 cooperativas (chamadas caisses) haviam e ainda existem, muitas pequenas cooperativas de crédito que não tinham tamanho suficiente para atender grandes empresas. A saída foi deixar as cooperativas no atendimento das pessoas físicas e criar os CFE´s (Centros Financeiros) para atender as empresas, com expertise oriunda do conjunto de Diretores Gerais das cooperativas. O funding para as operações de crédito para pessoas jurídicas pode ser formado com recursos de uma única cooperativa ou pelo funding de um conjunto de cooperativas, dependendo do montante envolvido.

Atualmente praticamente todas as Cooperativas participam de um dos 48 Centros Financeiros existentes. Esta caracteriza tem como vantagem a diversificação do risco entre várias cooperativas. Atualmente discute-se a criação de um novo centro, coordenado pela Federação das Cooperativas, para atender as grandes empresas que não são atendidas pelos Centros Financeiros.

Atualmente as cooperativas estão criando Centros Administrativos com o objetivo de centralizar o back-office, papel este que não é trabalhado pela Federação das Cooperativas. A quantidade de cooperativas que integram um mesmo centro administrativo varia de um lugar para outro. Os serviços prestados por eles também variam, cabendo às próprias cooperativas definir o que será centralizado.

Também estuda-se a criação de 3 centros para a administração de grandes fortunas, de pessoas que possuem grande volume de recursos e que hoje não são atendidas pelas cooperativas.

Por Márcio Port, direto de Montreal no Canadá

O Fundo Garantidor do Movimento Desjardins, no Canadá

August 22nd, 2011 No comments

Movimento de Desjardins

O Fundo Garantidor do Movimento Desjardins foi criado em 1978, sendo que ele não apenas auxilia a cooperativa com capital e liquidez, ele exige também uma reforma na gestão. O Fundo tem poder de intervenção em caso de má gestão de alguma cooperativa. O Fundo Garantidor tem um grande poder para gerir o risco de reputação caso haja a falência de alguma cooperativa.

O Fundo Garantidor cobriu algumas grandes crises do Movimento Desjardins. A primeira crise foi em 1981, coincidindo com uma grande crise econômica, que impactou principalmente em Montreal. Neste ano o fundo aportou $ 32,2 milhões em 187 cooperativas. Na época existia uma outra Federação de Cooperativas que trabalhava essencialmente com pequenas e médias empresas e que trabalhava com empréstimos de grande risco. Esta Federação passou por grandes dificuldades e chegou a quebrar nesta época, sendo que as perdas dos associados foram absorvidas pelo governo. Com isto Desjardins fortaleceu seu Fundo como forma de impedir a intervenção da autoridade financeira ou governamental. Em 1994 houve outra grande crise com o aporte de $ 30,2 milhões em 30 cooperativas.

Atualmente as regras de contribuição estão muito evoluídas, levando em conta o risco assumido por cada cooperativa.

O fundo garantidor de Desjardins tem $ 500 milhões de capital e é utilizado para qualquer caixa que esteja em dificuldade. É através deste fundo garantidor que as cooperativas são solidárias entre si.

Por Márcio Port, direto de Montreal no Canadá

A evolução da estrutura do Movimento de Desjardins, no Canadá

August 22nd, 2011 No comments
Movimento de Desjardins

Ainda na HEC Montreal, o Sr. Benoit Tremblay, Diretor do Centro de Estudos Desjardins, falou do Movimento de Desjardins e de sua evolução ao longo dos seus mais de 110 anos de história.

A 1ª cooperativa surgiu em 6 de dezembro de 1900 em Levis, no Quebec. O desenvolvimento inicial de Desjardins foi muito lento. Apenas em 1906 foi feita a primeira lei do estado de Quebec.

Desjardins criou as cooperativas apenas com a capitalização dos sócios, não podendo assumir muitos riscos. Ele contou muito com a igreja católica, que apoiava muito mais a poupança do que os empréstimos. Primeiro a pessoa deveria poupar para apenas depois tomar crédito.

Caixa Central das Cooperativas de Desjardins, em Montreal

A primeira Central das Caixas surgiu em 1920, sendo divididas de acordo com a distribuição das dioceses católicas. O poder regional sempre estava ligado aos padres, das dioceses regionais. As uniões regionais trabalhavam cada uma por si, sendo que em 1932 surgiu a federação, após a falência de várias cooperativas depois da crise de 1929. A Federação surgiu da vontade do governo de proteger os poupadores.

Até 1980 o número de cooperativas de Desjardins apenas cresceu, atingindo 1.372 nesta década, com 4,5 milhões de associados. No ano de 2000 este número era de 972 e atualmente é de 451 com 6 milhões de associados.

O volume de ativos de Desjardins era muito pequeno até 1975, crescendo muito depois disto, refletindo o aumento do poder aquisitivo da população do Canadá.

Até 1950 os associados de Desjardins e os clientes dos bancos não eram comuns entre si, não havendo sobreposição de atuação. A partir de 1950, com o crescimento econômico do Canadá, os bancos começam a se interessar pela classe média. Entre 1950 e 1970 Desjardins se tornou um sucesso coletivo. Nesta época Desjardins adquiriu o controle de cerca de 15% de um pequeno banco de Quebec.  Também nesta época instituições não bancárias foram autorizadas a ingressar no sistema de pagamentos, inclusive as sociedades seguradoras que podem inclusive oferecer fundos de investimento.

Entre 1970 e 1990, com a estabilidade do mercado, a clientela das cooperativas começa a interessar cada vez mais os grandes bancos, trazendo Desjardins para um mercado muito competitivo. Atualmente o mercado é praticamente único, havendo diferença apenas em um número de aproximadamente 500 pequenas cidades em que Desjardins é a única instituição financeira. Aliado a isto Desjardins tem muitos estudantes como associados e também públicos de baixa renda, tendo pouca expressão com pessoas de maior renda e com grandes empresas.

Benoit Tremblay, Diretor do Centro de Estudos Desjardins

Em 1967 houve a desregulamentação das taxas de juros do Canadá, permitindo os bancos a definir suas práticas de mercado. Isto promoveu um grande e rápido crescimento das operações de crédito. Para competir no mercado as cooperativas passaram a atuar de forma mais integrada, diminuindo a autonomia das cooperativas em busca de uma padronização tecnológica, de produtos, de políticas e de treinamentos. Isto aconteceu através da Federação Desjardins.

Na década de 70 a IBM ingressou no mercado financeiro sendo que Desjardins foi o primeiro grupo financeiro que a IBM passou a atender, promovendo a integração de todas as cooperativas. Já na década de 70 os associados podiam fazer transações financeiras e utilizar o seu cartão de débito em qualquer parte do país. Com isto, já na década de 80 Desjardins tinha como associados 67% da população adulta de Quebec. O Movimento Desjardins foi agente-chave no desenvolvimento de Quebec, sendo que o governo quebequense adequou a legislação às necessidades de mercado, mas também às necessidades de Desjardins.

Na década de 80, com o aumento das operações de crédito as cooperativas compensaram o aumento do risco com a capitalização. Surge aí o fundo garantidor de Desjardins e a transformação da capitalização de Desjardins.

O acirramento da concorrência fez também com que no período de 1987 a 1994 houvesse a aquisição de 26 bancos de investimentos por 7 instituições bancárias de varejo, todas canadenses. Este fato fez com que a crise financeira de 2008 não fosse percebida no Canadá pois a crise afetou fortemente os bancos de investimento, bancos estes que já não existiam no Canadá. Nesta época Desjardins já tinha 1.339 cooperativas e por já estar presente em todo o mercado de Quebec não lhe interessou fazer a aquisição de nenhum banco de investimento.

A partir de 1990, com a evolução do crédito no país e com a evolução do mercado financeiro, Desjardins também precisou evoluir:

  • na informatização,
  • na prestação de consultoria para os associados
  • e buscar que 75% dos funcionários atuassem em tarefas com maior valor agregado (na época o índice era 5%). O desafio foi transformar os funcionários de perfil administrativo em vendedores.

Para isto houve um forte investimento na formação educacional e profissional dos funcionários. Tornou-se necessária também a maior integração entre as cooperativas integrantes do movimento. Na época a participação de mercado era de 42% nos depósitos e 38% nos empréstimos hipotecários.

Como nem todos os objetivos foram possíveis de se atingir e haviam muitos investimentos de informática a serem feitos, houveram fusões de muitas cooperativas buscando a redução de custos. Neste período a quantidade de cooperativas reduziu-se em mais de 50%. Foram realocados pontos de serviços e instalados caixas automáticos no lugar de antigos pontos de serviços.

Atualmente 92,7% de todas as transações do Movimento Desjardins são eletrônicas.

Por Márcio Port, direto de Montreal no Canadá

O Mercado Financeiro do Canadá

August 22nd, 2011 1 comment

Cooperativistas do Sistema Sicredi do RS na HEC Montreal

No primeiro dia da formação na HEC Montreal (Universidade) tivemos pela manhã a apresentação de Jean Roy, do Departamento de Finanças da HEC Montreal. O conteúdo apresentado foi relacionado ao Mercado Financeiro do Canadá.

Durante a crise financeira nenhuma Instituição Financeira Canadense precisou ajuda. Este desempenho foi reconhecido pelo FMI e hoje diferentes países procuram o Canadá para descobrir o motivo deste fato.

A cultura bancária do Canadá é conservadora e além disto a regulamentação é rigorosa. O mercado financeiro canadense é concentrado, fazendo com que não haja uma concorrência feroz como em outros países. Isto gera uma boa rentabilidade sem muitos riscos.

No Canadá os bancos são regulamentados pelo governo federal e as cooperativas de crédito são regulamentadas pelo governo estadual. O Banco do Canadá (equivalente ao BACEN) não faz a fiscalização dos bancos. Por isto existe uma instituição que realiza este papel. O Banco do Canadá fiscaliza apenas o sistema de pagamentos.

A lei canadense que regula os bancos é revisada a cada 5 anos, gerando uma dinamicidade às mudanças e ao mercado. Outra característica é que nenhum acionista pode deter mais de 20% das ações. Esta regra vale para os grandes bancos, com capital superior a $ 7,5 bilhões (equivalente a US$ 7,5 bilhões). Para bancos menores os percentuais são maiores, podendo chegar a 100% das ações para os pequenos bancos. O objetivo desta diferenciação é fomentar a criação de pequenos bancos, que ao crescerem devem diversificar sua composição acionária. Com isto cerca de 50% da população canadense é proprietária direta ou indiretamente de algum banco. Isto faz com que os preços mais altos praticados pelos bancos sejam revertidos em dividendos maiores para os acionistas.

No Canadá os bancos não podem vender produtos de seguradoras nas suas agências, mesmo que a seguradora seja do mesmo grupo bancário. Este fato atende aos interesses das seguradoras e os bancos acabaram aceitando. As cooperativas de Desjardins, por terem regulamentação estadual podem negociar seguros em suas cooperativas.

O Fundo Garantidor canadense cobre até $100.000. A contribuição dos bancos para este fundo leva em conta o nível de risco de cada banco. Esta medida tem o objetivo de desincentivar os bancos a assumir muitos riscos. Para Desjardins a regulação é diferente e apesar do seguro ser o mesmo dos bancos, a contribuição é de 0,04 a 0,06% sobre os depósitos.

A taxa básica (equivalente à Selic) do Canadá é de 1%aa. Para os depositantes, atualmente, a taxa de juros é 1,5 a 3%aa. Para empréstimos a longo prazo a taxa é de cerca de 2%aa. Para empréstimos pessoais as taxas são de 8 a 10%aa. As hipotecas são de 4 a 6%aa.

A supervisão de Desjardins é feita por uma instituição de atuação estadual, a Autoridade dos Mercados Financeiros (AMF), diferentemente da supervisão que em nível nacional a que estão sujeitos os bancos.

Atualmente existem 846 cooperativas com ativos de $ 301 bilhões, com 8,9% do mercado financeiro. A participação de mercado varia muito de um estado para outro.

O Movimento de Desjardins (ativos $ 175,5 bilhões) é a 6ª maior instituição financeira do Canadá, desconsiderando neste ranking as instituições não bancárias (Sociedades Seguradoras).

Jean Roy do Departamento de Finanças da HEC Montreal

Apesar do Canadá ter 78 bancos são poucos bancos que dominam o mercado, sendo maiores do que o Movimento Desjardins:

  • o Banque Royale ($ 721 bilhões),
  • o Groupe Financier TD ($ 616 bilhões),
  • o Banque Scotia ($ 527 bilhões),
  • o Banque de Montréal ($ 413 bilhões)
  • e o Banque CIBC (US$ 363 bilhões).

As 6 maiores instituições, contando Desjardins administram ativos de $ 2,8 bilhões, dos quais Desjardins detêm 6,3% deste total. Estas instituições somadas detêm 83% do mercado bancário canadense que é de $ 3,384 bilhões.

Por Márcio Port, direto de Montreal no Canadá

Comitiva do Sistema Sicredi conhecerá o Sistema Desjardins no Canadá na próxima semana

August 16th, 2011 No comments

Uma comitiva de 29 dirigentes e executivos do Sicredi do RS estará viajando ao Canadá nos próximos dias para conhecer o Sistema Cooperativo Desjardins no Canadá.

A programação inicia-se na próxima segunda-feira na HEC-Montreal que é uma escola de gestão que iniciou suas atividades em 1907. Desde 2001 a HEC juntou forças com o Movimento Desjardins criando o Centro de Estudos em Gestão de Cooperativas de Serviços Financeiros. A programação na HEC se estenderá na terça e quarta-feira.

Na quinta-feira o grupo estará em Lévis, no Quebec, onde visitará o complexo Mouvements Desjardins. Na sexta-feira a programação final será no Desjardins Business Center em Quebec.

Esta será a segunda comitiva do Sicredi RS a visitar o Movimento de Desjardins no ano de 2011.

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