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O Caminho Selic no Cooperativismo de Crédito, por Ricardo Coelho

April 8th, 2012 No comments

Sem métricas e padrões não podemos avaliar se algo está correto ou se desenvolve a contento. E, para tanto, inventamos medições para quase tudo que nos cerca como: distância, pesos, glóbulos brancos, índice de desenvolvimento humano (IDH) e assim por diante.

Entre todas estas métricas, a que atualmente mais me fascina é a que determina a distância, peso e tempo, já que no final de abril, acompanhado da esposa e de uma mochila de 10 kg, farei a caminhada de 30 dias pelos 800 km do Caminho de Santiago de Compostela, cruzando a Espanha. Investimos horas na avaliação e harmonização de temas coadjuvantes que podem minar ou favorecer nosso projeto, mesmo que seja aparentemente insignificante como a escolha da marca e formato do “band-aid” que levaremos. Estamos fisicamente e mentalmente preparados para o início do “Caminho”, tendo muita afinidade com os novos parceiros: mochila, botas, bolhas, colchonetes, trajes, alimentação, chuva, frio, piso… . Será um bom “Caminho”.   

Mas o que este projeto particular tem a ver com a gestão do Cooperativismo de Crédito? Ocorre que vemos muitas Singulares levando em suas mochilas de gestão, pesadas e desconhecidas pedras de gelo, sem saber qual a sua real utilidade e desatentas ao seu descongelar em grandes pingos por um deserto inóspito. Uma destas grandes pedras de gelo é a Selic. Vamos a ela.

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Selic: A grande e pesada pedra de gelo em nossa mochila de gestão. 

Muitas Singulares carregam esta grande pedra de gelo sem analisar detalhadamente os benefícios e malefícios em sua instituição. E para agravar, tendem a dar-lhe atenção unicamente nas 8 vezes ao ano, quando a cada 45 dias há reuniões do COPOM – Comitê de Política Monetária. E com esta visão superficial, traçam ponderações descompromissadas sobre o real impacto da Selic.

Se a distância, peso e tempo são relevantes como métricas para o projeto do Caminho de Santiago, a Selic deveria ser uma das mais importantes métricas a ser gerida com sapiência pelos gestores do Cooperativismo de Crédito. É sabido que sua manutenção ou oscilação seguem vieses econômicos e políticos, já que esta “torneira” permite que rapidamente o governo controle o consumo ou o investimento, e consequentemente o apetite da inflação, além de balizar o custo da sua dívida.

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Uma inferência pretensiosa à CDI a 8% a.a. como métrica de competitividade:

Pelos cenários macros internacionais e nacionais há uma forte sinalização que a gestão da Selic pelo COPOM para o ano será de manutenção em patamares próximo a 9% a.a, chegando eventualmente ao “número mágico” de 8,75% a.a.. Sim, pois esta é a trava mental para a Selic no Brasil. Basta observarmos que na série histórica saudável da Selic nestes últimos 15 anos, iniciada  em 1.997 quando o Plano Real amadureceu, não tivemos índices menores que 8,75% a.a.. Além de que, nos recentes governos de “esquerda moderada” (Lula e Dilma), 8,75% a.a. é o patamar de mais longa sequência de toda a série histórica, sendo 6 reuniões do COPOM em 9 meses corridos.

Este cenário pode ser melhor compreendido se revermos as ponderações do nosso artigo postado no site: CDI – Amor platônico do martelo por um prego, no qual propomos entre outras reflexões, a que baliza o ganho mínimo de 4% a.a. aceito pelo investidor, já descontado a inflação que oscila em 4% a.a.. Ou seja, uma Selic nunca menor que 8% a.a.. Menos que isto o governo terá sérias dificuldades em dar atratividade para que os investidores comprem seus papéis visando a rolar sua dívida pública. Nesse artigo, ainda orientávamos a usar uma Selic conservadora de 8% a.a. para todos os cenários do Planejamento Estratégico e dos Planos de Ação Comercial. Se uma Singular for eficaz ao patamar de uma Selic de 8% a.a., há grandes possibilidades de vir a ser um sucesso.

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Onde a Selic pode impactar o Caminho das Singulares – visão macro:

a)      Muitas Singulares coerentemente já pagam Selic cheia pelo Capital Social aplicado pelos seus “sócios”, outras o fazem parcialmente. Assim, com a redução e manutenção deste indexador, a remuneração custará menos ao ano, favorecendo a elevação das Sobras.

  • § Vemos muitas das Singulares remunerando o Capital Social em apenas um percentual da Selic. Assim, buscam no índice de poupança uma alternativa para declarar ao sócio que seu investimento foi minimamente corrigido, contudo omitem que ele ainda pagará 15% de IR.

b)      Com a Poupança mais atrativa, as Singulares passam a captar menos em Depósito a Prazo, podendo isso ser um sério problema para manter a rentabilidade da Singular ou até mesmo manter a carteira de crédito enquadrada nos índices oficiais.

  • § Devemos ficar atentos, pois a solução Poupança vem recebendo intensos estudos do governo para mudar a regra de ganhos para novas contas e aportes, visando a acabar com o tradicional ganho fixo de 6% a.a.. Sim, pois em época de Selic baixa, a Poupança se torna muito competitiva, em especial por não incidir IR, atraindo indevidamente investidores especulativos e não apenas os pequenos poupadores, que é o objetivo maior deste produto.

c)      Como medida prudencial muitas Singulares aplicam na centralizadora parte de seus passivos e/ou seus excedentes de caixa, ou seja, quanto mais tiverem recursos na centralizadora e mais a Selic baixar, menos “receita” será somada às Sobras. E para muitas Singulares hiper aplicadas esta variação negativa da Selic poderá determinar perda já neste exercício ou um enorme impacto nas Sobras. Sim, pois com este enorme saldo “parado” na centralizadora, irão abrir mão de uma receita cativa anual de 2,5% a.a. (Selic de 12/2011 a 11,50% a.a. contra 9% a.a. provável em 12/2012). E como usualmente as Singulares hiper aplicadas não sabem dar crédito de varejo, podem estar diante de um impasse existencial e de um cenário de risco.

d)      Algumas Singulares são desatentas à definição de suas taxas de captação em Depósito a Prazo, pagando sempre alto, inclusive para aplicações de curto prazo, mesmo que não tenham demanda por este recurso. Assim, a médio prazo, haverá sérios impactos na engenharia das Sobras, e em muitos casos, podem nem identificar a tempo a causa. Sim, pois é fácil incrementar ou estancar a carteira de empréstimos, mas a lógica por detrás da captação é muito mais sutil e astuta. Este tema é um dos inúmeros orientados em nossas consultorias e que muitas vezes precisam de melhorias pontuais e novas estratégicas na gestão de recursos.

e)      Muitas Singulares indexam a grande maioria de seus créditos parcelados ao CDI, o qual segue muito de perto a variação da Selic. Portanto, com a queda do CDI, as receitas futuras destes créditos irão cair substancialmente, impactando as Sobras. Contudo, beneficiando agora estes clientes, pois poderão vir a ter sua taxa de juros real menor que o custo do dinheiro da Singular.

  • § Além de ficar descasado o prazo entre captação e alocação do recurso, sem que haja garantia de que a aplicação será mantida pelo prazo médio dos longos créditos concedidos. Pois, uma baixa remuneração, faz com que boa parte dos investidores procurem novas opções ao tradicional depósito a prazo e fiquem inquietos quanto a baixa remuneração do Capital social.

f)       Confrontando a lógica mercadológica, algumas Singulares reduzem ou sobem suas taxas de juros de varejo, unicamente porque a Selic (CDI) oscilou. Ora! O custo do dinheiro a emprestar é composto por uma gama de complexas variáveis, e não unicamente pelo custo financeiro da captação. Portanto não pode sozinho deflagrar a delicada ação de alterar os juros.

g)      Outras reflexões poderiam estar aqui explicitadas, mas deixemos que vocês as construam.

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Reflexão Final:

Percebemos que nestes quase 20 anos a Selic, e o seu fiel escudeiro –  CDI influenciaram uma gama de aspectos da gestão do Cooperativismo de Crédito. Contudo, não é usual vermos muita disposição em observar e entender os sinais de advertência e de oportunidades atreladas a variações da Selic. Reconhecemos que é complexa a análise dos impactos da Selic no Cooperativismo de Crédito, mas cabe aos executivos, em especial aqueles do Conselho de Administração em Singulares com Governança, estudar e entender profundamente a Selic, como também os demais temas macros de gestão da sua Instituição.

Importantíssimo: Com  a manutenção da Selic em baixa, é urgente que oxigenemos nossas fontes de receitas, através da venda de todas as nossas soluções, e não somente das aplicações e créditos. De imediato, devemos viabilizar: tarifas avulsas e pacotes de serviços bem precificados; cobrança de títulos em valores coerentes; repasse rentáveis de seguros, consórcios, cartão de crédito etc; uso da conta corrente e dos débitos automáticos … . O mercado já pune fortemente as Singulares que não agregam a sua base todos os serviços do varejo financeiro massificado. Por mais ágil e “fácil” que possa parecer, é arriscado o “Caminho” focado em captação e crédito. A sobrevivência do Cooperativismo de Crédito passa pela entrega de nossos serviços agregados, na medida exata do que “couber” em cada um de nossos sócios. “Fidelização é a satisfação pela concentração.  

Portanto, o Governo é quem criou a Selic e, gostemos ou não, ele a conduz sem qualquer ponderação quanto a sua relevância ou impactos ao Cooperativismo de Crédito. Então temos aqui mais uma métrica para nos guiar e saibamos usá-la a nosso favor. Bom “Caminho” à nós.

Ricardo Coelho   Consultoria e Treinamento Comercial para Instituições Financeiras – www.ricardocoelhoconsult.com.br  

Copom reduz Selic de 12% para 11,5% ao ano

October 19th, 2011 No comments

BRASÍLIA – O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou 0,5 ponto percentual dos juros e fixou a taxa básica (Selic) em 11,5% ao ano, mesmo com pressões do Palácio do Planalto sobre o Banco Central (BC) por uma queda maior. A decisão foi por unanimidade e sem viés.

Segundo o comunicado do comitê, divulgado há pouco, o Copom entende que “ao tempestivamente mitigar os efeitos vindos de um ambiente mais restritivo, um ajuste moderado no nível da taxa básico é consistente com o cenário de convergência da inflação para 2012″.

Mesmo com a pressão política, a maioria dos analistas e dos aplicadores previam um corte desse tamanho. Os negócios fechados, nesta quarta, no mercado futuro de juros apostavam numa queda de 0,5 ponto percentual. Apenas algumas instituições ousaram prever um corte maior, de 0,75 ponto percentual ou até 1 ponto percentual.

O presidente do BC, Alexandre Tombini, já havia avisado no início do mês passado que os futuros cortes seriam “moderados” e compatíveis com a volta da inflação para o centro da meta de 4,5% no fim do ano que vem, já que abandonou esse objetivo para este ano. A palavra “moderado” foi entendida como um corte de 0,5 ponto percentual pelo mercado. Tombini também tinha classificado a situação atual como “muito delicada” porque combina o risco de países quebrarem isso vira risco financeiro num cenário de perspectivas de baixo crescimento.

- O Banco Central tem comunicado que, olhando para frente, nas atuais condições ajustes moderados da taxa de juros são consistentes com a convergência da inflação para o centro da meta em dezembro de 2012, conforme é o nosso objetivo explicitado – disse Tombini na época.

Atualmente, a inflação acumulada nos últimos 12 meses, medida pelo IPCA (índice usado oficialmente), é de 7,3%: acima do limite da meta para o ano que é de 6,5%. No entanto, na visão do BC, esse número chegou ao pico e deve começar a perder força daqui para a frente, uma vez que nos dados recolhidos diariamente, a inflação já estaria dentro do centro da meta de 2012 que também é de 4,5%.

Fonte: O Globo

Copom surpreende e reduz taxa Selic para 12%aa ao ano

August 31st, 2011 1 comment

Selic 12% - agosto 2011 (Foto: Editoria de Arte/G1)

BRASÍLIA E SÃO PAULO – O Comitê de Política Monetária (Copom) surpreendeu e decidiu hoje reduzir a taxa básica de juros (Selic) em 0,50 ponto porcentual para 12% ao ano. Com isso, o colegiado do Banco Central interrompe o processo de aperto monetário iniciado em janeiro deste ano.

Levantamento feito pela Agência Estado com 72 instituições do mercado financeiro mostrou que era unânime a aposta na estabilidade da taxa Selic em 12,50% nesta reunião do comitê do BC. De janeiro a julho, a taxa Selic foi elevada em 1,75 ponto porcentual.

O comitê tem mais dois encontros previstos para 2011. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 18 e 19 de outubro e a última reunião, para 29 e 30 de novembro. A ata da reunião de hoje será divulgada pelo BC na quinta-feira da próxima semana, dia 8 de setembro.

Fonte: Estadão e G1

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Aumenta a distância entre Selic e TJLP

July 24th, 2011 No comments

Ao elevar a 12,5% ao ano a Selic, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central estabeleceu uma nova taxa básica de juros. Mas o piso não vale para todos

Aproximadamente 20% do estoque do crédito concedido no país, quase R$ 370 bilhões, tem como origem o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que opera com Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), estacionada em 6% ao ano desde 2009. A TJLP equivale agora a menos da metade da Selic e o diferencial entre as duas taxas se aproxima daquele atingido durante a crise financeira de 2008.

A TJLP equivale agora a menos da metade da Selic e o diferencial entre as duas taxas se aproxima daquele atingido durante a crise financeira de 2008. Ainda que nas linhas regulares do BNDES não haja equalização de taxa, somente esse descasamento configura um subsídio elevado, que pesa sobre o déficit fiscal e sobrecarrega a própria Selic, que tem que ser mais alta para cumprir a tarefa de inibir a pressão exercida pelo consumo, já que seu efeito não alcança um parte expressiva dos financiamentos concedidos no país.

Ninguém se arrisca a estimar o quanto a Selic poderia estar inflada por esse efeito, já que ele se dispersa pela economia e não é possível ver com precisão onde a TJLP vai aliviar o aperto monetário promovido pelo Banco Central. Mesmo o cálculo do que os economistas classificam como subsídio tem de ser feito por aproximação. Se considerado que o BNDES desembolsou quase R$ 144 bilhões em 2010 e que estima repetir esse volume este ano, a diferença de 6,5 pontos percentuais entre uma taxa e outra representaria uma perda superior a R$ 7 bilhões. Isso tomando por base uma parcela, também aproximada, de 80% desses desembolsos corrigida pela TJLP.

“Em alguns momentos, se descontar a inflação da TJLP, ela fica negativa”, disse o presidente do Conselho Regional de Economia de São Paulo, Heron do Carmo, que também vê caráter de subsídio na taxa praticada pelo BNDES, se tomada a Selic como referência para todo o sistema.

Fonte: Valor Econômico

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Copom eleva juro básico em 0,25 ponto a 12,50

July 20th, 2011 No comments

BRASÍLIA – O Copom elevou a taxa básica de juros em mais 0,25 ponto nesta quarta-feira, para 12,50 por cento ao ano, na quinta alta consecutiva da Selic, confirmando as expectativas do mercado.

Este é o quinto aumento consecutivo da taxa de juros, que vem subindo desde o início deste ano com o objetivo de conter pressões inflacionárias. Para evitar uma alta maior dos preços, o BC atua para conter a procura por produtos e serviços. Em 2011, os juros brasileiros avançaram 1,75 ponto percentual, visto que estavam em 10,75% ao ano no final do ano passado.

Ao fim do encontro, o BC divulgou a seguinte frase: “Avaliando o cenário prospectivo e o balanço de riscos para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, neste momento, elevar a taxa Selic para 12,50% a.a., sem viés“. Com isso, retirou do comunicado a avaliação de que os juros subiriam por um “período suficientemente prolongado” de tempo, o que pode ser uma indicação de que o processo de aumento dos juros estaria próximo do fim.

Selic 12,50% - julho 2011 (Foto: Editoria de Arte/G1)

Fonte: G1 e Estadão

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Mercado espera que taxa Selic suba para 12,50%

July 17th, 2011 No comments

SÃO PAULO – A taxa básica de juros, a Selic, deverá ser aumentada em 0,25 ponto porcentual, para 12,5% ao ano, pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, na quarta-feira, dia 20. É o que indica o levantamento feito pelo serviço AE Projeções, da Agência Estado, com 74 instituições do mercado financeiro, das quais apenas uma, a Fundação dos Economiários Federais (Funcef), trabalha com estabilidade.

O levantamento confirma o resultado de uma consulta prévia com 35 casas na segunda-feira, que apontava de forma unânime para um ajuste de 0,25 ponto porcentual. Entretanto, entre o que os analistas acreditam que o Copom fará e o que eles acham que deveria fazer, existe grande diferença.

Muitos deles afirmam que, se tivessem direito a voto no Copom, considerando o alto nível da inflação dos serviços no acumulado de 12 meses (8,75%), elevariam o ritmo de aumento dos juros ou manteriam o gradualismo, com 0,25 ponto porcentual a cada reunião num período mais prolongado, desde que acompanhado de mais medidas macroprudenciais, incluindo novos aumentos do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de crédito e compulsório.

O que tem mantido as expectativas do mercado ancoradas em um aumento de apenas 0,25 ponto é mesmo a preferência sinalizada pelo BC por um aumento gradual da taxa de juros, ainda que por um “período suficientemente prolongado”, como se pode ler em alguns documentos da própria autoridade monetária, para levar a inflação a convergir para o centro da meta, de 4,5%. Algumas declarações do presidente do BC, Alexandre Tombini, vão na mesma direção. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Estadão

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Em ata, BC sinaliza alta de juros por tempo prolongado

June 16th, 2011 No comments

BRASÍLIA – O Banco Central (BC) voltou a sinalizar, na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a necessidade de que o ajuste de alta da taxa de juros seja feito por um período “suficientemente prolongado”, a fim de garantir a convergência da inflação para o centro da meta de 4,5% em 2012. O BC afirmou, no entanto, que vê sinais mais favoráveis para a inflação.

Essa é a novidade em relação a ata da reunião do Copom de abril, quando o BC avaliava que o cenário prospectivo para a inflação não tinha evoluído favoravelmente. Agora, a autoridade monetária está mais otimista. “Embora incertezas crescentes que cercam o cenário global e, em escala bem menor, o cenário doméstico, não permitam identificar com clareza o grau de perenidade de pressões inflacionárias recentes, o Comitê avalia que o cenário prospectivo para a inflação mostra sinais mais favoráveis”, destaca o documento, divulgado na manhã de hoje.

Para o Copom, a implementação de ajustes das condições monetárias por um período suficientemente prolongado continua sendo a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta em 2012. Essa avaliação leva em consideração o ritmo ainda incerto de moderação da atividade doméstica, bem como a complexidade que envolve o ambiente internacional.

Em sua última reunião, o Copom elevou de 12,00% para 12,25% ao ano a Selic (a taxa básica de juros da economia). Desde janeiro deste ano, quando começou o ciclo de alta dos juros, a Selic já subiu 1,50 ponto porcentual.

Riscos

Na ata, o BC afirma que identifica riscos à concretização de um cenário em que a inflação convirja “tempestivamente” para o valor central da meta, de 4,5%. Para o Copom, prevalece um nível de incerteza “acima do usual”.

No exterior, segundo o documento, as evidências apontam moderação no processo de recuperação em que se encontram as economias do G-3 (EUA, Europa e Japão). Na avaliação do BC, o ambiente externo tem influência ambígua sobre o comportamento da inflação doméstica.

No âmbito interno, o BC avalia que ações macroprudencias e, principalmente, ações convencionais de política monetária recentemente implementadas ainda terão seus efeitos incorporados à dinâmica dos preços.

Fonte: Estadão

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BC mantém estratégia de ajuste por período prolongado

June 12th, 2011 No comments

O Comitê de Política Monetária (Copom) seguiu exatamente o roteiro previsto pelo mercado financeiro e decidiu hoje elevar a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto porcentual, para 12,25% ao ano. Com o movimento, o colegiado do Banco Central dá sequência ao processo de aperto monetário que tem por objetivo reverter a tendência dos indicadores de preços em 12 meses e colocar o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de volta na meta de 4,5% em 2012.

Ao anunciar a decisão, o BC manteve o teor do comunicado da decisão de abril. “Considerando o balanço de riscos para a inflação, o ritmo ainda incerto de moderação da atividade doméstica, bem como a complexidade que envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que a implementação de ajustes das condições monetárias por um período suficientemente prolongado continua sendo a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta em 2012″, disse o colegiado do BC no comunicado de anúncio da decisão desta noite.

A elevação da taxa de juros busca conter o ímpeto da demanda de bens e serviços na economia brasileira, que tem sido apontado como um dos fatores por trás da escalada dos preços no País. Com juros mais altos, não só o crédito fica mais caro (especialmente em um ambiente no qual medidas adotadas pelo governo restringem o alongamento de prazos) para os consumidores, mas também se cria um incentivo para as pessoas guardarem dinheiro ao invés de aproveitarem seus ganhos de renda para gastar mais.

Coerência

O ex-diretor do BC e economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, explicou que, diante da sinalização dada em abril, o Copom não tinha alternativa a não ser subir o juro em 0,25 ponto porcentual. Segundo ele, as condições da economia, com desaceleração do crescimento e redução nos índices de preços, até permitiriam manter a Selic, mas diante da mensagem passada pelo BC e das expectativas para 2012 ainda acima do centro da meta, a alta do juro básico é uma questão de coerência.

Segundo Freitas, o aperto monetário de 0,25 ponto porcentual agora tem maior potência do que vinha ocorrendo. Isso porque a taxa de juros real, que desconta a inflação, a partir de agora deve ser maior, já que o País entrou em uma fase de “surpresas deflacionárias”, depois de um início de ano em que a inflação ficou acima do que todo mundo esperava.

“O juro real maior pode levar o BC a repensar novos aumentos da Selic”, disse o economista, para quem uma sinalização mais clara deverá ser dada na ata do Copom na semana que vem ou no relatório de inflação no final deste mês. “Se expectativas de inflação continuarem caindo, não há motivo para o juro subir mais”, completou.

Para o economista-chefe do banco cooperativo Sicredi, Alexandre Barbosa, a situação da economia brasileira exige juros maiores, pois a inflação não decorre só de choques de oferta (como a alta de preços de alimentos), mas também de um excesso de demanda por bens e serviços. Ele espera pelo menos mais uma alta de 0,25 ponto porcentual em julho na Selic. E avalia que a economia precisa crescer menos de 4% por algum tempo para que a inflação seja colocada de volta na meta.

Barbosa recordou que a inflação é difícil de ser reduzida no Brasil. Em 2009, por exemplo, ano de recessão, o índice oficial de preços ficou em 4,3%, ante 5,9% em 2008. Ou seja, em um ano muito ruim para a economia, a inflação foi colocada no centro da meta. O economista explica que não é necessário produzir uma recessão para trazer o IPCA de volta à meta, mas é preciso crescer em ritmo menos intenso do que no início do ano, quando a taxa anualizada de expansão do País ficou acima de 5%.

Fonte: Agência Estado

Copom eleva taxa Selic para 12,25% ao ano

June 8th, 2011 No comments

Em decisão unânime, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, colegiado formado pelos diretores e pelo presidente da autoridade monetária, se reuniu nesta quarta-feira (8) e decidiu subir a taxa básica de juros da economia brasileira em 0,25 ponto percentual, para 12,25% ao ano. Com isso,os juros permanecem no patamar mais alto desde janeiro de 2009.

Selic a 12,25% (Foto: Editoria de Arte/G1)

Este é o quarto aumento consecutivo da taxa de juros, que vem subindo desde o início deste ano com o objetivo de conter pressões inflacionárias. Para evitar uma alta maior dos preços, o BC atua para conter a procura por produtos e serviços. Em 2011, os juros brasileiros avançaram 1,5 ponto percentual, visto que estavam em 10,75% ao ano no final do ano passado.

Explicação

Ao fim do encontro, o BC divulgou a seguinte frase: “Dando seguimento ao processo de ajuste gradual das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 12,25% a.a., sem viés. Considerando o balanço de riscos para a inflação, o ritmo ainda incerto de moderação da atividade doméstica, bem como a complexidade que envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que a implementação de ajustes das condições monetárias por um período suficientemente prolongado continua sendo a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta em 2012″.

Fonte: G1

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Copom aumenta a Taxa Selic para 11,75%aa: aumento de 0,5%aa nesta reunião

March 2nd, 2011 No comments

Pela 2ª reunião seguida, Copom sobe juro e fixa Selic em 11,75% ao ano. É a taxa de juros mais alta desde janeiro de 2009, segundo o BC.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, formado pelos diretores e pelo presidente da autoridade monetária, se reuniu nesta quarta-feira (2) e decidiu subir a taxa básica de juros da economia brasileira de 11,25% para 11,75% ao ano.

A decisão, que confirmou a expectativa dos analistas do mercado financeiro, representa a segunda alta consecutiva: em janeiro, quando houve a primeira reunião sob o comando de Alexandre Tombini e do governo Dilma Rousseff, a taxa já havia sido elevada também em 0,50 ponto percentual.

A expectativa do mercado financeiro é de novos aumentos nos juros ainda em 2011. A previsão é de que a taxa termine 2011 em 12,50% ao ano.

Ao fim do encontro, o BC divulgou a seguinte frase: “Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 11,75% ao ano, sem viés”.

Gráfico mostra a evolução da taxa básica de juros da economia brasileira. (Foto: Editoria de arte G1)

Juros reais

Com a subida da taxa básica da economia para 11,75% ao ano, o Brasil disparou mais ainda na liderança isolada no ranking mundial de juros reais – que são calculados após o abatimento da inflação prevista para os próximos doze meses. Juros altos tendem a atrair capital para a economia brasileira e a pressionar para baixo o dólar.

De acordo com estudo do economista Jason Vieira, da corretora Cruzeiro do Sul, em parceria com Thiago Davino, analista de mercado da Weisul Agrícola, a taxa real de juros do Brasil avançou para 5,9% ao ano, quase o triplo do segundo colocado (Austrália, com 2% ao ano).

Fonte: G1

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Juros do cheque especial e do empréstimo estão mais altos

February 15th, 2011 No comments

Tanto o cheque especial quanto o empréstimo pessoal tiveram altas de janeiro para fevereiro “depois de um período de estabilidade”, lembra Helena. O juro do limite da conta subiu 0,16%, enquanto o empréstimo pessoal teve alta de 0,05 ponto porcentual.

  • A taxa média de juros no cheque especial passou de 9,13% para 9,29% ao mês.
  • A do crédito pessoal saltou de 5,34% para 5,39% mensais.

As altas repassadas ao consumidor têm a ver com o aumento da taxa básica de juros (Selic) feita na primeira reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). “E outras ações do governo que começaram no ano passado relacionadas à contenção do crédito”, explica Helena.

E a perspectiva não é das melhores. Segundo o próprio BC, a taxa Selic deve alcançar 12,5% ao ano até dezembro. Hoje a taxa está em 11,25% ao ano. “Isso mostra que as taxas médias do cheque especial e do empréstimo pessoal também vão subir”, analisa a técnica do Procon-SP.

O Procon-SP faz o levantamento de taxas de juros bancárias mensalmente e analisa os sete maiores bancos do País (Banco de Brasil, Bradesco, Caixa, HSBC, Itaú Unibanco, Santander e Safra).

O aumento nos juros do cheque especial ocorreu em cinco dos sete bancos pesquisados:

  • Bradesco (de 8,45% para 8,79% ao mês),
  • Santander (de 9,66% para 9,96%),
  • HSBC (de 9,55% para 9,80%),
  • Banco do Brasil (de 8,05% para 8,15%) e
  • Itaú (de 8,75% para 8,85%).

No empréstimo pessoal, apenas o Itaú (de 6,02% para 6,30% ao mês) e o Bradesco (de 6,00% para 6,04% ao mês) elevaram o juro.

Fonte: Estadão

Mercado já prevê Selic de 12,5% até o fim do ano

February 1st, 2011 No comments

O mercado financeiro aumentou seu pessimismo e mais uma vez elevou suas previsões para a inflação oficial tanto para 2011 quanto para 2012 e agora espera um pouco mais de aumento nos juros por parte do Banco Central. De acordo com a pesquisa semanal Focus, feita pelo BC com analistas do mercado financeiro, a estimativa para o IPCA neste ano subiu pela oitava vez seguida, atingindo na média 5,64%. Na semana passada, a projeção era de 5,53%.

Para 2012, a estimativa passou de 4,54% para 4,70%, a segunda alta consecutiva e afastando ainda mais a expectativa do centro da meta de inflação (4.5%).

Com a inflação esperada mais alta, os analistas também ampliaram a previsão de alta na taxa básica de juros (Selic), esperando que ela encerre o ano em 12,50% ao ano. Até a semana passada, o mercado previa Selic de 12,25% anuais. A nova estimativa pressupõe que o ajuste total nos juros básicos, já incluindo a alta de 0,5 ponto porcentual em janeiro, será de 1,75 ponto porcentual na Selic em 2011.

O mercado trabalha com um aumento de 0,50 ponto porcentual na Selic em março, mais 0,50 ponto em abril e mais 0,25 ponto em junho, permanecendo neste nível até o fim do ano. Já para o fim de 2012, o mercado segue trabalhando com a taxa básica de juros em 11%, com o início do processo de afrouxamento monetário a partir de janeiro do próximo ano.

Fonte: Estadão

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Banco Central divulga nova taxa Selic, de 11,25%aa, com aumento de 0,5%

January 19th, 2011 1 comment

Alexandre Tombini é o Presidente do Banco Central do Brasil

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, colegiado formado pela diretoria e presidente da autoridade monetária, subiu a taxa básica de juros de 10,75% para 11,25% ao ano na primeira reunião do governo Dilma Rousseff, que aconteceu nesta terça e quarta-feiras (18 e 19).

A taxa de juros estava em 10,75% ao ano desde julho de 2010. Ao subir os juros para 11,25% ao ano, o Copom fixou a taxa básica da economia brasileira no mesmo patamar vigente em março de 2009, o maior em cerca de dois anos.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 1 e 2 de março. A estimativa do mercado financeiro é de que os juros subam para 11,75% ao ano neste encontro e que avancem para 12,25% ao ano em abril – patamar no qual deverão fechar 2011.

Ao fim do encontro do Copom, o BC divulgou a seguinte frase: “O Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 11,25% ao ano, sem viés, dando início a um processo de ajuste da taxa básica de juros, cujos efeitos, somados aos de ações macroprudenciais, contribuirão para que a inflação convirja para a trajetória de metas”.

JUROS REAIS
Com a subida da taxa básica da economia para 11,25% ao ano, o Brasil disparou na liderança isolada no ranking mundial de juros reais – que são calculados após o abatimento da inflação prevista para os próximos doze meses. Juros altos tendem a atrair capital para a economia brasileira e a pressionar para baixo o dólar.

Evolução da Taxa Selic de 2006 a 2011

Fonte: G1

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Mercado prevê longo ciclo de juro alto com perspectiva de 12,5% em dezembro de 2011

January 17th, 2011 No comments

SÃO PAULO – O novo presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, enfrenta logo no início do mandato o duro desafio de trazer a inflação oficial do País de volta para a meta de 4,5% ao ano. Em 2010, o IPCA subiu 5,91%. O primeiro passo nessa direção deverá ser dado nesta semana, quando ele comandará sua primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

No encontro, que começa terça e termina quarta-feira, Tombini e seis diretores do BC vão definir o novo nível da taxa básica de juros (Selic). Há um consenso no mercado de que a taxa será reajustada. A aposta é de elevação de 0,50 ponto porcentual, para 11,25% ao ano.

O próprio BC, em seu mais recente Relatório de Inflação, divulgado no fim de dezembro, não poderia ter sido mais explícito. “No regime de metas para a inflação, desvios em relação à meta, na magnitude dos implícitos nessas projeções (do mercado e do próprio BC), sugerem necessidade de implementação, no curto prazo, de ajuste na taxa básica de juros“, diz parte do texto que abre o documento.

A provável alta fará o Brasil ficar ainda mais atrativo para os investidores internacionais, porque aumentará a já enorme diferença entre os juros aqui dentro e no exterior. A Selic é a mais alta taxa básica do mundo, tanto em termos reais (cálculo que desconta a inflação) quanto nominais. Nos países desenvolvidos, os juros estão próximos de zero.

Os analistas não têm certeza apenas sobre a elevação da Selic agora. Cravam que o BC vai continuar puxando o juro durante boa parte de 2011. A maioria avalia que a taxa irá até 12,25% ao ano e ficará nesse nível até dezembro.

Mas há apostas para todo os gostos. Os analistas do banco Credit Suisse, por exemplo, acreditam em um ciclo total mais longo e maior, que culminaria com a Selic em 13,50% no fim do ano. Na outra ponta, o Banco Fator vê espaço para uma queda da taxa já no segundo semestre, encerrando 2011 em 11,25% (apenas 0,50 ponto acima do nível atual).

Pressões

A inflação no Brasil está pressionada e deve continuar assim, na melhor das hipóteses, até o fim do primeiro trimestre. Há uma série de fatores que embasa essa avaliação: a alta das commodities e dos produtos in natura (verduras, legumes e frutas), a persistente inflação no segmento de serviços e o provável fim da valorização do real.

Para alguns analistas, a situação é tão preocupante que eles não descartam a hipótese de o IPCA de 2011 estourar o teto da meta (6,5%). “A inflação alta na partida do ano (os 5,91% acumulados em 2010) faz com que um eventual choque na economia a leve para cima da banda superior da meta”, diz o economista-chefe da JGP Gestão de Recursos, Fernando Rocha.

A má notícia para o País é que os riscos desses choques crescem a cada dia neste começo de 2011. As chuvas no Sudeste têm levado a fortes altas dos preços dos produtos in natura. Na semana passada, a medição semanal do IPC-Fipe mostrou que a alface subiu 25% em um mês.

No exterior, as commodities alimentícias (como soja e milho) mantêm-se pressionadas, a exemplo do que ocorreu em grande parte de 2010. O Índice CRB Food, que sintetiza em um único indicador a evolução dos preços agrícolas, avançou quase 15% nos últimos 45 dias.

Além disso, a economia brasileira ainda é muito indexada. Como em 2010 indicadores que corrigem vários preços avançaram fortemente (caso do IGP-M, que subiu 11,32% e serve de base para o reajuste do aluguel), é de esperar que tenham impacto sobre o IPCA de 2011.

Esses fatores conjunturais juntam-se a pelo menos outros dois estruturais. Como lembra o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, o câmbio deixará de ter no governo Dilma a contribuição positiva para a inflação que beneficiou Lula em seus dois mandatos. Vale lembrar que o dólar saiu da faixa de R$ 3,50 no início de 2003 para a casa de R$ 1,70 em dezembro de 2010. “Hoje, praticamente não há espaço para nova valorização expressiva do real”, comenta Gonçalves. Sexta-feira, a moeda fechou a R$ 1,686.

O outro fator estrutural é a inflação dos serviços. Esse é um segmento da economia que retrata o comportamento da demanda. Afinal, não é possível importar cabeleireiro, manicure, tintureiro, marceneiro etc. A competição entre esses profissionais é somente interna.

Fonte: Estadão

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Ricardo Coelho: Cadastro Positivo – Promessa ou Dívida?

December 9th, 2010 No comments

Ricardo Coelho é consultor para Cooperativas de Crédito

Após anos de discussões, teremos dentro de alguns meses o Cadastro Positivo (CP).  Algo usual em paises como EUA, México, Tunísia e Argentina. Ele tem o apoio do governo que o vê como suporte na redução das taxas de juros no varejo, preferencialmente das pessoas físicas (PF), pois as informações das jurídicas já são razoavelmente tratadas quando consultadas por “bancos”. Em síntese o Cadastro Positivo é o inverso do cadastro negativo (Serasa, SPC …) onde usualmente consultamos restritivos cadastrais. No Cadastro Positivo, as instituições “credenciadas” como: bancos; financeiras, indústria e comércio passam a consultar um banco de dados com históricos de bons tomadores de crédito, inclusive sua adimplência na conta de água, luz, fone e seus dados de emprego e renda.

Em conceito, qualquer instituição “financeira” ao perceber que um determinado cidadão tem um bom histórico de pagamentos, poderá ofertar-lhe crédito, com taxas menores e prazos maiores. Isto, em tese, permitirá menor risco as instituições, com reflexo na redução na taxa média de juros e no crescimento saudável do volume do crédito aos clientes. Os defensores do Cadastro Positivo alegam que, no modelo atual – cadastro negativo – os bons acabam pagando pelos maus, contudo, para outros, não estar no negativo, significa ser positivo, pois honra seus compromissos.

Para os defensores do Cadastro Positivo, será a redescoberta da roda. Mas tenho sérias dúvidas se os clientes serão realmente beneficiados, ainda mais, na grandeza dos discursos daqueles entusiastas do Cadastro Positivo. Comento isto por estarmos no Brasil. E este já demonstrou por inúmeras vezes ao mundo que trata-se de um mercado “único”. Aqui, vivência, cautela e astúcia são requisitos básicos para o sucesso de qualquer ação comercial, ainda mais se for cópia “bruta” de preceitos homologados em paises desenvolvidos. A história recente está cheia de homéricas “cópias” de fracassos.

Assim, pela relevância do assunto a todas as instituições financeiras, inclusive as Cooperativas de Crédito, desenvolvo este texto visando subsidiar o leitor na criação de suas reflexões e julgamento. Dessa maneira procuro evitar algo perigoso, especialmente nesse tema novo, que é ser conduzido por visões empíricas, superficiais, acadêmicas ou entusiastas. Informo que o texto é baseado em minha leitura do cenário atual, portanto deixo-os livres para discordar de parte ou do todo.

Importante: Sintetizo as visões macros sobre o tema, apontando em simples tópicos quais são os pontos fortes e fracos do Cadastro Positivo, além de seus ganhadores e perdedores e as minhas conclusões.

Pontos fortes do Cadastro Positivo:

  1. Ampliação do acesso ao crédito, mesmo de cliente negativados
  2. “Criação” de uma agência de rating pessoal
  3. Melhores condições para os bons pagadores
  4. Mais informação à menor juros

Pontos fracos do Cadastro Positivo:

  1. Falta de Cultura financeira aos brasileiros
  2. No Brasil – Taxa não é diferencial
  3. Por que doravante acreditar nas instituições financeiras?
  4. Por que uma grande instituição iria fomentar o Cadastro Positivo?
  5. Qual será o ganho financeiro a um bom cliente bancarizado?
  6. Discriminação “potencializada”
  7. O estouro da “bolha” tupiniquim
  8. Des-Cadastramento autônomo – O grande calcanhar de Aquiles
  9. Outros calcanhares de Aquiles do CP
  10. Informalidade no CP
  11. A velocidade do crescimento & Utilidade & Crença no CP.

 

Ganhadores & Perdedores

 

Como está sendo conduzido o Cadastro Positivo, ganharão os “bancos”, pela redução dos riscos sem contrapartida na redução de taxas, em especial por estarmos lançando-o em meio a uma forte crise mundial e uma ríspida escassez de crédito interno. Neste ambiente, o Cadastro Positivo servirá perfeitamente para que os “bancos” emprestem de forma hiper-seletiva e criteriosa, pois crise na empresa é crise no emprego. Ganha também as entidades que virem a gerir seus Cadastros Positivos, em especial pelo agravamento desta “reserva de mercado”. Está no plural, pois certamente teremos mais de uma entidade (Bureau): Serasa; Equifax, Associação Comercial de São Paulo, … . Ou seja, tudo leva a crer que cada uma armazenará unicamente dados alimentados pelas operações de crédito de seus “bancos” associados, o que significa que seu nome poderá estar como ótimo pagador apenas no bureau do qual seu “banco” é associado. Consequentemente sem histórico positivos no(s) bureau(s) concorrente(s).

Perde a sociedade, em especial as classes C e D, (80% da população), pois não tendo “poupança”, dependem do crédito para realizar seus “sonhos”. Ou seja, permanecerá o tratamento desigual aos desfavorecidos socialmente. Perde o governo, ao não obter, novamente, eficácia na sua boa intenção de elevar a “sociabilização” do crédito com redução de taxas para uma grande massa da população.

 

Conclusão

 

Mas não há mágica a fazer. Precisamos, concomitante ao Cadastro Positivo, ajudar o Brasil a ter sucessivos anos de prosperidade econômica, uma redução nos gastos do governo e que pague gradualmente menos para rolar sua dívida, que desenvolva uma cultura de gestão financeira na sua população, que fomente a real “portabilidade” do crédito, entre outras melhorias.

Realmente o Cadastro Positivo tem preceitos interessantes, e com sua aprovação teremos a possibilidade de aprender a usá-lo como uma poderosa ferramenta. Mas, primeiramente, é mister que encontremos formas de sintonizá-la a nossa realidade, pois só assim, poderá vir a ser uma eficaz ferramenta na “sociabilização” do crédito massificado, permitindo uma melhoria do padrão de vida de uma enorme casta de menos favorecidos de nossa sociedade. Este foi o motivo pelo qual o “governo” comprou a idéia, vendida por aqueles que a reconhecem como solução “eficaz” mundo afora. Caso contrário será uma solução social inglória, potencializada por sua aprovação durante um momento de extrema turbulência financeira e de escassez de crédito.

Devemos atentar para que não se repita o cenário onde o governo, norteado de boas intenções, é “combalido” pela astúcia dos profissionais das instituições financeiras. Algo como o “insólito” esforço do governo para a redução de tarifas bancárias de 12/2007. Se a sociedade, aqui representada pelos seus legisladores e pelos reguladores, não for astuta, tendemos a novamente dar um tiro no pé da população, disparado pelos “bancos”, por uma arma doada pelo governo.

É importantíssimo frisar que, até pouco tempo, países desenvolvidos como os EUA, viviam um cenário de hiper-oferta de crédito, alta empregabilidade e ótimo fluxo de capitais. Contudo, mesmo tendo o Cadastro Positivo há décadas, permitiram um inferno astral créditício, seja pelo fatídico Subprime imobiliário, ou por inúmeras outras estripulias, como a de permitir que um único cidadão chegue a ter 13 cartões de crédito. Ou seja, ter um banco de dados com este quilate, e não ter métricas e políticas sociais para utilizá-lo, pouco ajuda na redução do risco do crédito, e no objetivo maior, que é facilitar o acesso ao crédito barato a um maior número de pessoas.  

Acreditando na breve aprovação do Cadastro Positivo, de forma prática, concluo que seria prudente monitorar os dois primeiros anos do Cadastro Positivo para ver se realmente este grande “boing” terá condições de aterrissar em nossa pista curta, com buracos, mal sinalizada, sem torre de comando e debaixo de muita chuva. Devemos torcer para que o piloto seja muito bom, pois só assim o nosso Cadastro Positivo agregará real valor à sociedade. Caso contrário será mais um modismo conceitualmente interessante, mas sem os reais benefícios sociais apregoados, além de consumir nossos recursos e nos tirar do foco de “incêndios” reais.

Leia o texto completo no link http://www.ricardocoelhoconsult.com.br/artigo27.php

Copom mantem Selic em 10,75%aa

December 9th, 2010 No comments

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira, 8, manter a taxa básica de juros (Selic) no atual patamar, de 10,75% ao ano, em sua última reunião do ano. A decisão veio em linha com a expectativa da maior parte do mercado, mesmo após o IBGE ter divulgado o resultado de novembro do IPCA, que subiu 0,83%, a maior alta mensal em cinco anos.

Em decisão unânime, o Copom afirmou que é preciso tempo para aferir os resultados das medidas prudenciais recentes, que restringiram a oferta de crédito na economia e elevaram o depósito compulsório dos bancos. Por isso, diz a nota, não seria “oportuno reavaliar a estratégia de política monetária nesta reunião”.

Trata-se também da última decisão com Henrique Meirelles à frente da autoridade monetária, uma vez que Alexandre Tombini, atual diretor de Normas do BC, já foi indicado pela presidente eleita Dilma Rousseff e aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos do Senado para comandar o Banco Central a partir de 2011.

A próxima reunião do Copom está agendada para os dias 18 e 19 de janeiro. Leia abaixo a íntegra do comunicado:

“Avaliando a conjuntura macroeconômica e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 10,75% a.a., sem viés. Diante de um cenário prospectivo menos favorável do que o observado na última reunião, mas tendo em vista que, devido às condições de crédito e liquidez, o Banco Central introduziu recentemente medidas macroprudenciais, prevaleceu o entendimento entre os membros do Comitê de que será necessário tempo adicional para melhor aferir os efeitos dessas iniciativas sobre as condições monetárias. Nesse sentido, o Comitê entendeu não ser oportuno reavaliar a estratégia de política monetária nesta reunião e irá acompanhar atentamente a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária.”

Fonte: Estadão

Senado aprova criação de cadastro do bom pagador

December 5th, 2010 No comments

O Senado aprovou ontem o projeto que cria o cadastro positivo, uma lista de bons pagadores que ficará à disposição das instituições financeiras para consulta. A ideia é que, de posse das informações, as instituições financeiras possam cobrar juros mais baixos de quem paga suas contas em dia e taxas mais altas daqueles que já atrasaram pagamentos no passado – e que, portanto, estariam mais propensos a voltar a fazer isso novamente.

O texto segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O projeto aprovado pelo Senado, porém, não determina como deve ocorrer a implementação do cadastro. O projeto diz apenas que os consumidores devem informar aos sistemas de proteção ao crédito, para a formação do cadastro positivo, as “características e o adimplemento das obrigações contraídas” em serviços de crédito ou financiamento.

O governo vai regulamentar o funcionamento do cadastro por meio de decreto ou medida provisória. “A regulamentação será feita por MP, no que for possível fazer por medida provisória, e por decreto, no que for possível fazer por decreto”, disse o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Ainda não está definida a data para a regulamentação do cadastro, uma vez que não há consenso sobre todos os pontos da matéria.

O Executivo defende a aprovação do cadastro positivo como uma iniciativa que possa ajudar na redução dos juros bancários. O governo espera que, com o cadastro, os bancos conheçam mais detalhes do histórico de clientes que estejam sempre em dia no pagamento de suas dívidas, diferentemente do que acontece hoje em dia com os cadastros negativos, que só possuem em seus bancos de dados os nomes daqueles que acabam inadimplentes em seus financiamentos. O raciocínio é que uma pessoa que sempre pagou seus compromissos em dia no passado tende a continuar fazendo isso no futuro.

O cadastro positivo é formado por informações sobre contratos de financiamento assinados nos últimos anos e que não tenham tido parcelas pagas em atraso. O Senado optou por aprovar a versão simplificada do cadastro positivo, deixando de lado outro projeto de iniciativa da Cãmara dos Deputados com uma regulamentação extensa do assunto. “O projeto da Câmara é melhor porque dá garantias individuais, que vão ficar esperando ainda decreto”, criticou o deputado Maurício Rands (PT-PE).

Fonte: Jornal do Comércio

Meirelles: projeções não dão margem para reduzir juro

November 11th, 2010 No comments

BRASÍLIA – O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou hoje que a projeção de inflação encontrada no modelo do BC não dá margem para redução da taxa de juros básica. Meirelles evitou fazer comentários sobre os rumos da taxa Selic no médio prazo, limitando-se a explicar aos parlamentares da Comissão Mista de Orçamento que a Selic sobe ou desce para regular a demanda e mantê-la em ritmo condizente com a oferta.

Questionado se continuaria como presidente do BC caso convidado pela presidente eleita Dilma Rousseff, Meirelles tergiversou: “Não trabalho por hipóteses. Vou analisar caso concreto. Imagina se estivesse preocupado com esse tipo de coisa nessa situação que ocorreu com o Panamericano. Vamos considerar essa situação no seu devido momento”, afirmou.

Fonte: Estadão

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”Não dizer como juro vai a 2% é perigoso”, diz consutor do Itaú

November 7th, 2010 No comments

Economista aponta que, para alcançar essa meta, Dilma Rousseff teria de reduzir os gastos públicos pela metade e questiona se haveria disposição para fazer isso

Cético quanto à meta de 2% para os juros reais brasileiros até 2014, defendida pela presidente eleita, Dilma Rousseff, como plano estratégico de seu governo, o economista Edmar Bacha afirma que a redução dos juros exigirá medidas adicionais do governo, como uma meta de inflação de longo prazo. “Eu acho muito perigoso dizer que vai colocar o juro a 2% e não dizer como”, diz o economista, consultor sênior do Itaú BBA.

Um dos formuladores do Plano Cruzado, no governo Sarney, e, posteriormente, do Plano Real, Bacha defende, em entrevista ao Estado, que o governo defina uma meta de inflação de longo prazo. O economista também demonstra preocupação com a posição do governo de “achar que todos os problemas do Brasil podem ser resolvidos com o crescimento”.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

O sr. propõe redução da dívida líquida do governo de 40% para 20% do PIB. Faria diferença entre os juros reais brasileiros e a média mundial?

Eu coloquei esse valor para ilustrar que tipo de impacto isso teria sobre o diferencial de juros entre o Brasil e a média mundial. Meu ponto sempre é esse (sobre o patamar elevado de juros reais).

Os juros se mantêm elevados por pressão da demanda?

Há uma percepção parcialmente incorreta de que os juros são mais elevados do que na média internacional porque no Brasil, quando temos uma grande pressão de demanda, demanda forte, os juros vão para cima; e quando a demanda está fraca, os juros ficam mais baixos. Mas somente isso não é suficiente para explicar essa discrepância.

Em seu estudo, o sr. calcula que, no longo prazo no Brasil, o aumento de 1 ponto porcentual na dívida como proporção no PIB resulta em um aumento de 0,19 ponto porcentual na diferença de juros brasileiros e a média internacional.

O impacto da dívida sobre os juros no Brasil seria quatro vezes maior do que é nos Estados Unidos. Mas os Estados Unidos não têm passado de hiperinflação nem de calote da dívida. A nossa história de confiabilidade monetária ainda é muito curta. O ponto que eu faço é justamente esse. Dado o nosso passado – e o passado condena -, nós não podemos ter uma dívida pública tão elevada. Então, se fala, “todos estão elevando a dívida pública”, mas eu respondo, “estão elevando ocasionalmente”. A última vez que se elevou a dívida pública nos Estados Unidos foi na Segunda Guerra Mundial. Agora, por causa da crise, se aumentou muito.

E o gasto do governo com o pagamento de juros sobre a dívida, que no ano passado foi de 5,4% do PIB?

Eu acho que essa é uma questão um pouco complicada. É fato que os juros sobre a dívida são pesados para o Orçamento. Isso leva ao risco de uma atitude populista por parte do governo (de dizer que não vai pagar). Nós adotamos isso no passado. Nosso amigo do Mercosul, a Argentina, adotou isso recentemente, dar um calote na dívida. Um dos problemas do Partido dos Trabalhadores até 2001 eram declarações sobre isso.

De calote?

Não, não se usava o termo calote. Mas era algo do tipo, realizar uma “análise da dívida“, uma “radiografia da dívida”. Então, como existe um peso muito forte da dívida no Orçamento, existe uma pressão política latente para que o governo faça alguma coisa a respeito. Isso produz um componente de risco para quem está investindo dinheiro no Brasil, investindo dinheiro em títulos públicos. Corre o risco de levar um calote.

Nossa meta inflacionária tem um horizonte de dois anos. O que seria uma meta de inflação no longo prazo no Brasil?

Seria um valor bem razoável, de 3%. Você precisa de um pouquinho de inflação para ajustar preços relativos. Creio que 3% é uma taxa de inflação que corresponde à média mundial dos últimos dez anos.

E o horizonte de longo prazo? Dez anos?

Depende de quanto tempo o governo levaria para chegar aos 20% de dívida no PIB. Aí dependeria de quanto o governo acha que pode fazer. Uma de suas propostas para aprimorar o mercado seria liberar as aplicações financeiras no exterior.

Como isso poderia tornar o mercado mais saudável?

Temos de voltar um pouco no passado. O Brasil foi um dos poucos países no mundo que não dolarizou sua economia. Os países do Leste Europeu, por exemplo, dolarizaram, ou melhor, “eurorizaram”. Quando você tem uma moeda não confiável, naturalmente as pessoas procuram outras opções, outras moedas. A Argentina dolarizou, o Equador, o Panamá. Todos esses países que tiveram uma história convulsionada, como o Brasil, têm o dólar como uma importante característica em suas economias. Na década de 80, (o Brasil teve) a pior moeda do mundo até o Plano Real, apenas perdendo para o Congo e, apesar disso, não dolarizou, os brasileiros continuaram a usar aquelas porcarias daquelas moedas. Por quê? Porque inventamos uma coisa chamada conta remunerada, em que o dinheiro crescia como batatas no campo. Você tinha um cruzeiro de noite, e na hora que amanhecia tinha um cruzeiro e dez centavos em sua conta. Quando estabilizamos (a economia), acabamos com a conta remunerada, mas elevamos os juros para patamares muito altos. Então, a contrapartida da não dolarização foi o juro alto. Eu não estou propondo que se dolarize (a economia); acho a dolarização uma coisa ruim. O que estou propondo é que se dê aos brasileiros a liberdade de escolher a moeda em que eles querem investir. Hoje em dia é muito difícil investir lá fora. O receio (de se liberalizar as aplicações no exterior) sempre foi que, se fizesse isso, todo mundo ia correr para investir lá fora.

Mas esse receio era de outros tempos…

Isso mesmo, eram outros tempos. As pessoas não vão correr lá para fora. Acho que o tempo é favorável para se adotar uma medida que eliminaria um entrave de natureza psicológica para as pessoas que querem diversificar suas aplicações financeiras. “Be my guest” era o que eu, se fosse governo, diria (aos interessados em aplicações no exterior).

E sobre o câmbio, o que o governo brasileiro teria de fazer agora nesse campo, nesse cenário após o anúncio do pacote do Federal Reserve (de comprar mais US$ 600 bilhões em títulos do Tesouro americano)?

Eu acho que não muda grande coisa, não entendo tanta comoção. As pessoas estão enfatizando muito o aspecto da “guerra cambial”, da “guerra das moedas”, sem mencionar as oportunidades que essa situação internacional cria para um país como o Brasil.

Voltando ao cenário da economia doméstica, o sr. defende uma unificação dos regimes de indexação de preços?

Por exemplo: tirar o aluguel do IGP-M e colocar para ser reajustado pelo IPCA (índice de inflação oficial do governo).

E o IPCA seria o único índice para reajustes?

Exato. Seria o único índice. Esta seria apenas a primeira etapa. Aí, eu conseguiria definir uma meta de 3%. Paulatinamente, eu sairia do IPCA como indexador, e convergiria para a meta anual de 3% (para a inflação no longo prazo). Então, quando chegasse lá na frente, apesar dos preços administrados continuarem a ser contratuais, essa regra (para os preços administrados) seria consistente com o objetivo de longo prazo de política monetária – o que não ocorre atualmente.

Ter uma meta inflacionária de longo prazo daria maior confiança aos investidores em relação ao cenário macroeconômico brasileiro?

Com certeza. Mas não seria assim uma meta para inglês ver. Vamos definir 3% e depois acreditar. Não sem antes ter um pacote inteiro (de medidas). Outro ponto que acho importantíssimo nesse tema é a incorporação do crédito direcionado nos objetivos de política monetária.

O que não está sendo feito agora…

Não. Atualmente, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e a Caixa fazem empréstimos de recursos a taxas próprias, que não têm nada a ver com a Selic. É um sistema que está à parte da Selic, que não caminha junto. Isso aumentaria enormemente a potência da política monetária porque um terço do crédito do Brasil vem dos créditos direcionados.

A presidente eleita, Dilma Rousseff, disse que a meta de 2% para juros reais até 2014 é usada como referência. O sr. acredita que medidas como severos cortes nos gastos públicos poderiam diminuir para 2% os juros reais até 2014?

Um porcentual de 2%… Bom, no meu estudo, eu trabalho com um porcentual em torno de 6% (taxa média anual definida por Bacha para o período de 2000 e 2009). E coloco que, para diminuir para 3%, em um horizonte de longo prazo, seria preciso cortar os gastos públicos pela metade. Ela estaria disposta a fazer isso?

Para reduzir pela metade os gastos, seria necessário, talvez, maior ênfase nas reformas estruturais?

É. O governo tem uma postura, creio, de achar que todos os problemas do Brasil podem ser resolvidos com o crescimento. Nós já vimos essa história, na época da ditadura. Houve problemas, e havia a negação dos problemas. E a ideia de que o Brasil era uma ilha de estabilidade em mundo de confusão. Eu acho muito perigoso, porém, dizer que vai colocar o juro a 2% e não dizer como. Como isso vai ser?

É uma meta excessivamente agressiva, na sua opinião?

Sim. É uma meta agressiva.

Fonte: Estadão

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Dilma deve tirar Meirelles do BC para reduzir juros

November 7th, 2010 No comments

BRASÍLIA – Embora avalie que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foi importante para sustentar a política de combate à inflação do governo Lula e certeiro nas medidas de contenção dos efeitos da crise econômica mundial de 2008 e 2009 no Brasil, a presidente eleita, Dilma Rousseff, tende a não aproveitá-lo no posto.

É certo que Dilma vai centralizar em torno de si todas as ações econômicas do início do governo, disse ao jornal O Estado de S. Paulo um de seus mais importantes colaboradores. Pretende, com isso, alcançar dois objetivos: forçar a redução nas taxas de juros logo na primeira reunião do Conselho de Política Monetária (Copom) e mostrar que, ao contrário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ela terá o controle de todos os setores do governo, a começar pela economia. Tanto é assim que o primeiro bloco de auxiliares a ser anunciado será o da equipe econômica.

Com a centralização e a pressão explícita para que os juros baixem – o que Lula nunca exerceu em relação ao Banco Central -, Meirelles ficará numa posição desconfortável, pois sua política de combate à inflação tem sido sempre a de, por absoluta prevenção, manter os juros altos.

Uma solução para Meirelles – e ele já se mostrou simpático à ideia – seria nomeá-lo embaixador do Brasil em Washington. É um nome com muito trânsito nos meios financeiros e governamentais, atributos essenciais para a interlocução de um governo Dilma que ainda não tomou posse mas já faz coro e, ao lado de Lula, acusa os Estados Unidos de, junto com a China, promoverem uma “guerra cambial” no mundo.

O PMDB, ao qual Meirelles é filiado, ainda tem esperanças de emplacá-lo no Ministério da Fazenda ou no dos Transportes. Mas Dilma tem sido aconselhada a manter Guido Mantega, decisão que contaria com a simpatia de Lula. E o Ministério dos Transportes é um feudo do PR, embora o PMDB esteja, numa espécie de escambo político, tentando trocá-lo pela Agricultura.

Conforme um integrante do governo muito próximo de Dilma, ela quer lotar o setor econômico na Esplanada dos Ministérios com “defensores de ações desenvolvimentistas” – como ela. A presidente eleita acredita que, assim como ocorreu na gestão Lula, principalmente depois da crise econômica mundial, o governo tem entre os seus papéis fundamentais fazer a indução para o desenvolvimento e o crescimento econômico.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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Copom mantém Taxa Selic em 10,75%aa

October 20th, 2010 No comments

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (20) manter a taxa Selic em 10,75% ao ano, pelo segundo encontro seguido. A decisão foi unânime. Nas reuniões de abril, junho e julho o juro básico da economia brasileira havia sido elevado num total de 2 pontos, configurando um curto ciclo de alta após a taxa ter ficado estável em 8,75% desde julho de 2009. Na última reunião, em 1º de setembro, o colegiado do BC já havia decidido pela manutenção da taxa.

A decisão de hoje (a sétima reunião do Copom deste ano) ficou dentro do esperado da maior parte dos analistas financeiros. De acordo com sondagem da Agência Estado, todas as 63 instituições financeiras ouvidas na semana passada previam a estabilidade do juro. Não se via unanimidade entre os economistas desde o levantamento realizado pela AE para o encontro de dezembro de 2009, quando as apostas também eram de manutenção, na época em 8,75%.

Vale destacar ainda que a maioria das casas consultadas aposta que a Selic seguirá estável, chegando ao final de dezembro nos mesmos 10,75% de hoje. A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 7 e 8 de dezembro. A ata da reunião de hoje será divulgada pelo BC na quinta-feira da próxima semana, dia 28 de outubro.

Fonte: Estadão

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BC: brasileiro gasta 13,3% do salário com juros

October 4th, 2010 No comments

Estudo divulgado na última quinta-feira pelo Banco Central mostra que, nos financiamentos, os brasileiros gastam mais com o pagamento de juros do que com o produto efetivamente comprado. Publicado no Relatório Trimestral de Inflação, a pesquisa mostra que, atualmente, as famílias gastam 13,3% do salário para pagar os juros dos financiamentos existentes. Já o comprometimento da renda para pagar a dívida efetivamente, o chamado pagamento do principal, consome 10,5%. Ou seja, o brasileiro gasta, na média, mais com juros do que com o bem adquirido. Em julho de 2006, a parcela destinada aos juros era de 11,3% e a destinada ao pagamento do principal era de 10,1%.

Ao ser questionado sobre o fato de o juro ter maior peso que o principal, o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, não demonstrou preocupação. “As taxas de inadimplência no Brasil estão caindo. Então, as pessoas estão conseguindo pagar suas dívidas”, disse.

Dessa forma, o comprometimento médio da renda dos brasileiros com o pagamento de financiamentos – soma do principal e juros – passou de 21,4% em julho de 2006 para 23,8% em julho de 2010. “Nós podemos afirmar que há estabilidade no comprometimento da renda das famílias no pagamento das dívidas”, cita o diretor, ao comentar a oscilação de 21,4% em 2006 para os atuais 23,8%.

A despeito dessa relativa estabilidade do comprometimento da renda, o BC mostrou que o endividamento médio das famílias cresceu nos últimos anos. Em julho de 2006, o total de todas as dívidas era, na média, correspondente a 25% do rendimento dos tomadores de crédito acumulado em um ano. Agora, essa proporção saltou para 39,1%. Isso quer dizer que o brasileiro possui, na média, mais de um terço de seu rendimento de um ano em dívidas.

Fonte: Estadão

 

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BC estuda divulgar ‘taxa prime’ de juros no País

October 3rd, 2010 No comments

BRASÍLIA – O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, adiantou hoje que o Banco Central trabalha atualmente para elaborar e divulgar um juro médio dos empréstimos concedidos aos clientes com baixo risco de calote, segmento que é normalmente chamado de “prime” nos EUA. “Trabalhamos para termos uma taxa só com esses clientes prime, aqueles que têm risco de crédito muito bom. A ideia é eliminar possíveis fontes de distorção”, afirmou Hamilton.

O diretor explicou que atualmente no País o BC divulga apenas uma taxa média entre todos os clientes, independentemente do risco de calote. Essa taxa geral, segundo ele, é comparada com outros países que costumam divulgar um juro específico para o segmento prime.

“De fato, as taxas de juros no Brasil são altas. Mas temos de tomar cuidado porque aqui nós tomamos como base uma taxa média para todos os clientes, que muitas vezes é comparada com outros países e suas taxas apenas para clientes com classificação muito boa”, disse, ao defender que seja feita uma comparação “justa”. Hamilton não deu detalhes sobre o andamento dos estudos nem a previsão de quando a “taxa prime” será divulgada.

Fonte: Estadão

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Bancos já descartam nova alta do juro este ano

August 17th, 2010 No comments

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir de 0,75 para 0,50 ponto porcentual o ritmo de alta do juro básico (Selic) tem levado bancos e consultorias a refazer as contas para a taxa no restante de 2010.

Santander, que tem a área econômica comandada pelo ex-diretor do Banco Central (BC) Alexandre Schwartsman, reduziu sua estimativa para a Selic em dezembro de 12,75% para 10,75% ao ano. Ou seja, o banco deu por encerrado o ciclo de elevações no ano.

Segunda-feira, o Departamento de Economia do Bradesco, comandado por Octavio de Barros, anunciou que também não espera mais altas do juro no curto prazo. O banco divulgou uma nota de três páginas elogiando o BC por ter reajustado a Selic em 0,50 ponto, em vez de 0,75 ponto, na reunião do Copom realizada nos dias 20 e 21 de julho.

O segundo maior banco privado do País foi uma das poucas instituições do mercado financeiro que apostavam em 0,50 ponto. O time comandado por Barros alterou sua projeção na véspera do início da reunião do Copom. Até então, os economistas acreditavam em uma alta de 0,75 ponto.

“A combinação da desaceleração global e doméstica com uma rápida queda da inflação no Brasil e no mundo nos últimos meses é poderosa o suficiente para justificar uma mudança no ritmo de elevação dos juros, sem que o BC tenha que, para isso, comunicar previamente”, afirmou o texto de ontem, citando justamente uma das maiores críticas à autoridade monetária, a falta de comunicação antes do encontro.

Rapidez. Apesar do movimento, a diminuição do ritmo de altas da Selic ainda causa discussões. Alguns analistas argumentam que o cenário econômico não mudou tanto como afirma o BC. É o caso do economista Affonso Celso Pastore, que presidiu o BC entre 1983 e 1985.

Em um relatório divulgado na semana passada, Pastore afirmou que não via razões para o Copom alterar tão rapidamente sua opinião.

“Em princípio, em qualquer trajetória de desaceleração, pode haver movimentos transitórios e movimentos permanentes”, argumentou. “O que estamos assistindo ao longo do segundo trimestre de 2010 é uma queda transitoriamente abaixo da tendência, que se segue a uma elevação transitoriamente acima da tendência ocorrida no primeiro trimestre do ano.”

A próxima reunião do Copom será realizada nos dias 31 de agosto e 1º de setembro.

Fonte: Estadão

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Copom eleva Selic em 0,50 ponto porcentual, para 10,75% ao ano

July 21st, 2010 No comments

SÃO PAULO – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira, 21, pela elevação da taxa básica de juros, a Selic, em 0,50 ponto porcentual. Com a alta, os juros básicos no País passam a 10,75% ao ano. É a terceira alta consecutiva da Selic desde o início do novo aperto monetário, no final de abril deste ano.

Na última reunião do Copom, no início de junho, o comitê decidiu pelo aumento da taxa básica em 0,75 ponto porcentual. Foi a segunda alta consecutiva da Selic, depois de um período de nove meses seguidos de juros estáveis. Nesta segunda-feira, o relatório Focus, do BC, reduziu sua expectativa para a inflação neste ano, de 5,45% para 5,42%, patamar ainda acima do centro da meta do governo.

a previsão para a Selic ao final de 2010 permaneceu em 12% ao ano e 11,75% ao ano para 2011. Sobre a reunião do Copom desta quarta-feira, o mercado financeiro, de acordo com a Focus, esperava uma alta de 0,75 ponto porcentual.

A decisão de hoje (a quinta reunião do Copom deste ano) surpreendeu a maior parte dos analistas financeiros. De acordo com sondagem da Agência Estado feita com 64 instituições financeiras, 56 esperavam a elevação da Selic para 11%; apenas oito instituições previam um ajuste de 0,5 ponto porcentual no juro, para 10,75% ao ano.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 31 de agosto e 1º de setembro. A ata da reunião de hoje será divulgada pelo BC na quinta-feira da próxima semana, dia 28.

Veja a íntegra do comunicado:

“Avaliando a conjuntura macroeconômica e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 10,75% a.a., sem viés. Considerando o processo de redução de riscos para o cenário inflacionário que se configura desde a última reunião do Copom, e que se deve à evolução recente de fatores domésticos e externos, o Comitê entende que a decisão irá contribuir para intensificar esse processo”

Fonte: Estadao

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Juros do cheque especial e de empréstimos têm em julho 3ª alta seguida

July 21st, 2010 No comments

Segundo pesquisa divulgada hoje (20) pelo Procon, a taxa média dos empréstimos aumentou de 5,28% para 5,42% ao mês.

Os juros do cheque especial passaram de 8,90% para 9,06% ao mês. Dos nove bancos incluídos no estudo mensal do Procon, quatro elevaram os juros cobrados pelo uso do cheque especial de junho para julho (Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Unibanco). Três aumentaram os juros dos empréstimos pessoais (Banco do Brasil, Bradesco e HSBC). De acordo com a entidade, a média das taxas aumentou em julho mais do que em meses anteriores. Isso ocorreu, em primeiro lugar, devido aos aumentos feitos pelas instituições financeiras, mas também pela exclusão do banco Nossa Caixa da pesquisa. Incorporada pelo Banco do Brasil no último dia 25, a Nossa Caixa oferecia a seus clientes os juros mais baixos entre os consultados pelo Procon. Agora, a pesquisa do Procon inclui as seguintes instituições: Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú, Real, Safra, Santander e Unibanco.

Fonte: Brasil Econômico

Mercado eleva projeção para PIB e juros em 2010

July 5th, 2010 No comments

SÃO PAULO – O mercado financeiro elevou a previsão para a Selic (a taxa básica de juros) para o fim de 2010, segundo a pesquisa semanal Focus, divulgada nesta segunda-feira, 5, pelo Banco Central (BC). A taxa subiu de 12,00% ao ano para 12,13% ao ano. Já a projeção para a taxa no fim de 2011 permaneceu em 11,75% ao ano.

Prioridade do governo nos últimos dois anos, o aumento do chamado crédito direcionado, principalmente dos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), obriga o Banco Central (BC) a trabalhar com uma taxa básica de juros (Selic) mais alta. Como uma parte significativa dos empréstimos – 33% do volume total de crédito existente na economia – não é atingida pela Selic, o Comitê de Política Monetária (Copom) calibra os juros num patamar mais alto para compensar esse fato e, assim, combater a inflação.

Analistas anteciparam parte do cronograma esperado para o comportamento da taxa Selic nos próximos meses. Os números apresentados nesta segunda-feira na pesquisa Focus realizada pelo Banco Central mostram que o atual ciclo de aumento do juro pode acabar em outubro e não mais em dezembro. Mas, ao mesmo tempo, continua a expectativa de que uma nova alta pode acontecer no início de 2011.

De acordo com o levantamento, a Selic deve subir 0,75 ponto porcentual nos encontros de julho e setembro. Assim, atingiria 11% no dia 21 de julho e 11,75% em 1º de setembro. Em seguida, haveria uma nova alta menor, de 0,25 ponto, para 12% no encontro de 20 de outubro. Na semana passada, o mercado previa taxa estável em outubro e um aumento idêntico – de 0,25 ponto, para 12% – apenas no encontro de dezembro.

Fonte: Estadão e Valor

Demanda ‘robusta’ força juro alto, justifica Copom

June 20th, 2010 No comments

Ata da reunião do comitê do BC diz que a Selic subiu para tentar deter ‘a concretização de um cenário inflacionário‘ e indica que juros devem subir 0,75 ponto porcentual na próxima reunião

O Comitê de Política Monetária (Copom) deixou claro que está com o foco direcionado em conter o ímpeto da economia brasileira e evitar uma escalada dos preços. Em ata divulgada ontem, a diretoria do Banco Central enxergou nova “deterioração” na inflação.

A piora do quadro, na visão do BC, acontece porque a demanda doméstica está “robusta” e a economia ganha ainda mais velocidade com estímulos fiscais e aumento do crédito. Por isso, a instituição manteve a postura “incisiva” de subir os juros em 0,75 ponto porcentual na última reunião, para 10,25%.

O texto reforça a aposta de que novo aumento idêntico, de 0,75 ponto porcentual, deve acontecer na próxima reunião e deixou claro que, para o Copom, os riscos para a inflação continuam “elevados” mesmo após a retirada de alguns benefícios criados para amenizar os efeitos da crise internacional no fim de 2008.

TRECHOS

“A demanda doméstica se apresenta robusta, em grande parte devido aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e expansão do crédito”

“A despeito da reversão de parcela dos estímulos introduzidos durante a crise, desde a última reunião permaneceram elevados os riscos de um cenário inflacionário”

?Fonte: G1

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Taxa Selic chega a 10,25%aa

June 10th, 2010 No comments

O COPOM (Comitê de Politica Monetaria do BACEN) anunciou o aumento da Taxa Selic em 0,75%aa, passando a mesma de 9,5%aa para 10,25%aa.

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A Evolução da Taxa SELIC

May 3rd, 2010 No comments

No site do Estadão pode-se acompanhar a evolução da Taxa Selic e também visualizar a Taxa de Juros Real e a Taxa de Juros Nominal de cada país.

O link é http://economia.estadao.com.br/especiais/a-evolucao-da-taxa-selic,93264.htm

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BACEN aumenta taxa SELIC em 0,75% atingindo 9,5%aa

April 28th, 2010 No comments

Após um período de 19 meses em que a Taxa Selic passou por um período de baixa ou estabilidade, o COPOM (Comitê de Política Monetária) anunciou nesta quarta-feira, 28/04/10, o aumento da taxa em 0,75%, alcançando 9,50%aa.

A última subida da Taxa Selic havia ocorrido em setembro de 2008, poucos dias antes do anúncio de concordata do banco norte-americano Lehman Brothers, que deu início à fase mais aguda da crise financeira internacional – que espalhou a recessão pelo planeta. Desde então, os juros haviam ficado estáveis, ou recuado para tentar conter os efeitos da crise no crescimento do país.

Selic sobe para 9,50%

A expectativa do mercado financeiro é de que esse seja apenas o início de um ciclo de subida nos juros básicos do país. A previsão dos economistas é de que a taxa continue avançando nos próximos meses, e que atinja o patamar de 11,75% ao ano ao final de 2010.

O objetivo do BC ao subir os juros é conter pressões inflacionárias e buscar com que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), que serve de referência para o sistema de metas de inflação, não suba muito. Para este ano, e para 2010, a meta central é de 4,5%. Ao subir os juros, o BC atua para conter a demanda por produtos e serviços e, com isso, para tentar impedir o crescimento dos preços.

Ao fim do encontro desta quarta-feira, o BC divulgou a seguinte frase: “Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias ao cenário prospectivo da economia, para assegurar a convergência da inflação à trajetória de metas, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 9,50% a.a., sem viés“.

“Esse aumento de juros, e os outros que devem vir em seguida neste ano, pode gerar uma entrada maior de capitais e o câmbio pode se apreciar [dólar caindo] um pouco. Mas deve ter alguma volatilidade [para cima] nas eleições, por conta de declarações que podem gerar incertezas, o que deve contrabalançar um pouco esse movimento”, avaliou o economista da Tendências, Bernardo Wjumiski.

Impacto na dívida pública
Um reflexo da subida de juros é o seu impacto nas contas públicas. Atualmente, o volume de títulos públicos em mercado corrigidos pela taxa básica de juros está em R$ 500 bilhões. Se sobe a taxa básica de juros, o governo também tem de pagar uma remuneração maior aos detentores destes papéis.

Se mantido pelos próximos 12 meses, esse aumento de 0,75 ponto percentual nos juros, para 9,25% ao ano, vai gerar um gasto a mais de R$ 3,75 bilhões para o governo. E se for confirmada a expectativa do mercado financeiro de elevação de 3 pontos percentuais nos juros até o fim deste ano, para 11,75% ao ano, o impacto total do ciclo de aumento, nas contas públicas, será maior ainda: de R$ 15 bilhões em doze meses.

Fonte: G1

Fala de Meirelles eleva projeções de aumento da SELIC em 0,75%

April 27th, 2010 No comments

Na véspera da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o mercado modificou suas apostas, concentrando-as numa elevação mais forte da taxa básica de juros (Selic). Antes divididos entre uma alta de 0,50 ponto ou 0,75 ponto, ontem os operadores convergiram para a elevação maior, o que levaria a taxa para 9,50% ao ano.

Alguns até arriscavam que o aumento poderá chegar a 1 ponto porcentual, o que ajudaria a poupar o Banco Central (BC) de elevar a taxa no período eleitoral. A mudança na expectativa foi acompanhada pela elevação dos juros no mercado futuro.

A movimentação foi provocada por declarações do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Suas palavras agitaram os negócios desde cedo. “A mensagem que eu daria aos players (agentes) é de que não tentem ler nas entrelinhas o que o BC disse nas atas ou no Relatório de Inflação (e tentem encontrar) um sinal dado por um membro ou por outro. Não há sinais”, disse ele em entrevista à agência Dow Jones.

Meirelles explicou que os textos do BC, como o Relatório de Inflação e as atas do Copom, não dão “nenhum sinal sobre se há um número versus outro”. Em outra entrevista, à Reuters, ele passou mais um recado. “O BC vai adotar medidas fortes para garantir que a inflação atinja a meta no horizonte relevante.”

Para alguns analistas, Lula pode ter dado o “sinal verde” para Meirelles agir com força e segurar a inflação. O presidente tem dito nos bastidores que quer entregar o cargo com a inflação “nos trilhos” ao sucessor.

Diante das afirmações, começaram a ser ouvidas avaliações de alguns analistas de que uma alta do juro mais forte concentrada nas próximas reuniões também teria como efeito a derrubada das projeções de inflação, o que diminuiria a necessidade de aumentos expressivos da Selic perto das eleições. “O BC está avisando que o comportamento mudou e não está mais disposto a ficar atrás do mercado, atrasado“, diz um economista de banco em São Paulo.

Focus. Na pesquisa semanal feita pelo BC, o mercado aumentou a previsão para o nível da Selic no fim do ano de 11,50% para 11,75%, o que indica aposta em uma subida de 3 pontos até dezembro. A pesquisa também teve a 14.ª alta seguida das previsões para o IPCA, que passou de 5,32% para 5,41%. A meta é de 4,50%. 

Fonte: Estadão

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Aumento no depósito compulsório eleva as taxas de CDBs

March 19th, 2010 No comments

Ao retirar dinheiro de circulação, a medida já aumentou o custo do crédito antes mesmo de uma elevação da taxa Selic

Em poucas semanas, tudo mudou no mercado de certificados de depósitos bancários (CDB). As taxas voltaram a subir em torno de dois pontos percentuais, seguindo a decisão do Banco Central de aumentar os depósitos compulsórios, que atingiu diretamente os grandes bancos. Ao retirar dinheiro de circulação, a medida já aumentou o custo do crédito antes mesmo de uma elevação da taxa Selic e pode ter contribuído para a decisão de retardar o início do aperto monetário. Ontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa básica de juros em 8,75%.

No fim do ano, os bancos reduziram fortemente a captação, pois estavam extremamente líquidos. A liquidez em excesso levou o BC a remover parte da flexibilização do compulsório adotada na crise e mudou o cenário. As grandes instituições financeiras terão de recolher R$ 71 bilhões aos cofres do Banco Central nas próximas semanas. A primeira parte desses depósitos terá de ser feita na segunda-feira, quando a exigibilidade adicional volta a ter alíquota de recolhimento de 8% sobre depósitos à vista e a prazo. Isso deve retirar R$ 37 bilhões do caixa dos grandes bancos. Em 9 de abril, mais R$ 34 bilhões serão recolhidos, quando a alíquota cheia do compulsório sobre depósitos a prazo, reduzida a 13,5%, voltar aos 15%.

“Nos últimos dias, os bancos grandes voltaram ao mercado para recompor a liquidez e as taxas voltaram a subir”, disse o diretor de uma instituição de médio porte. Ainda líquidos, os grandes bancos conseguem manter captação em nível adequado. A alta das taxas se restringe ao mercado de investidores institucionais. A remuneração subiu, em média, dois pontos percentuais, passando de 99% do CDI, no início do ano, para 101% do CDI nos últimos dias. Papéis mais longos, de dois anos, pagam até 105%. Eduardo Jurcevic, superintendente do Santander, acredita que “as taxas devem buscar um novo patamar e se estabilizar”.

Fonte: Valor Online

COPOM mantém taxa Selic em 8,75% ao ano

March 17th, 2010 No comments

SÃO PAULO – 17/03/2010 – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu hoje manter a taxa Selic em 8,75% ao ano, nível em que se encontra desde julho do ano passado. A decisão dos membros do Copom foi de cinco votos a favor da manutenção e três votos sugerindo uma elevação de 0,50 ponto porcentual. A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira e no início do ano passado estava em 12,75% ao ano.

O mercado estava dividido sobre o resultado dessa reunião, o segundo encontro do Copom neste ano. Por outro lado, o mercado está convicto de que o comitê formado pelos diretores do BC vai começar em breve a subir os juros, mas ainda não tem certeza sobre em que nível a taxa vai ter de parar. Para 55 analistas ouvidos pela Agência Estado, 13 acreditam que a Selic terminará 2010 em 11,25% ao ano, 2,5 ponto porcentuais acima do nível atual. Outros dez analistas veem um aperto mais forte, de 3 pontos porcentuais, o que elevaria a taxa para 11,75%. As demais apostas estão bastante dispersas, variando entre uma taxa de 9,25% e 12,50% ao final do ano.

A próxima reunião do Copom está marcada para os dias 27 e 28 de abril. A ata da reunião de hoje será divulgada pelo BC na quinta-feira da próxima semana, dia 25 de março.

Fonte: Estadão

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Crédito bancário já está mais caro apesar da Selic ter ficado estável

March 17th, 2010 No comments

Desde fevereiro, as instituições financeiras vêm elevando as taxas cobradas no crédito aos consumidores, revela reportagem de Felipe Frisch, publicada pelo GLOBO nesta segunda-feira. Levantamento da Fecomércio-RJ, por meio do seu sistema Qualicred, com base nos dados do Banco Central (BC), mostra que houve aumentos nas quatro principais linhas utilizadas por pessoas físicas: aquisição de bens (crédito direto ao consumidor, ou CDC), crédito pessoal, cheque especial e aquisição de veículos.

O dado que mais chama a atenção diz respeito ao crédito pessoal, as linhas de empréstimo tradicionais. A modalidade sofreu elevações nas principais instituições em fevereiro. No HSBC, saiu de 4,49% no fim de janeiro para 4,95% ao mês em 1 de março na taxa prefixada. Na Caixa, foi de 2,02% a 2,24%; no Santander Real, de 3,17% a 3,38% ao mês; no Banco do Brasil (BB), de 2,32% para 2,47%; e, no Bradesco, de 4,53% para 4,69%. No Itaú Unibanco, embora tenha evoluído de 4,03% para 4%, chegou a 4,22% em 22 de fevereiro.

As taxas para aquisição de veículos subiram em cinco dos seis bancos analisados no período.

No CDC, as taxas avançaram em quatro: Bradesco, Santander, Caixa e HSBC.

Já no cheque especial, acusado de ser o vilão dos endividados, foi onde as taxas tiveram as menores elevações – caso de Bradesco, BB e HSBC – e chegaram a cair no Itaú Unibanco, no Santander e na Caixa.

Fonte: O Globo

Meirelles pode participar de sua última reunião do Copom

March 15th, 2010 No comments

SÃO PAULO – Presidente do Banco Central que mais tempo ficou no cargo – sete anos -, Henrique Meirelles poderá participar nesta semana de sua última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e dar início a um novo ciclo de alta na taxa básica de juros (Selic). Não bastasse o ingrediente político inédito – a possibilidade de saída do seu presidente para uma disputa eleitoral -, o encontro do Copom ocorre em meio à pressão do Ministério da Fazenda para manter a Selic em 8,75%.

Na Fazenda, as apostas são de que o BC vai aguardar para obter mais elementos sobre o aquecimento da economia. “O BC não baixou os juros em dezembro de 2008 (auge da crise) para ter uma ideia mais clara do quadro. Agora pode esperar mais um pouco”, disse uma fonte.

Nas últimas semanas, diante da alta recente da inflação e dos indicadores que mostram atividade econômica forte, o mercado financeiro tem consolidado as apostas de que a alta da Selic está próxima. Os analistas estão divididos entre os que preveem subida já na reunião desta semana e os que trabalham com início do ciclo em abril. No mercado futuro de juros, os preços indicam maior chance de alta dos juros nesta semana.

A equipe da Fazenda enxergou no Produto Interno Bruto (PIB) do quarto trimestre um fator a mais para justificar a manutenção dos juros. Segundo uma fonte, a alta de 4,3% do PIB nos três meses finais de 2009 sobre igual período de 2008 (o pior momento da crise) mostra expansão “moderada” da atividade.

Os técnicos também mencionam que a alta dos depósitos compulsórios (dinheiro que os bancos obrigatoriamente têm de deixar parado no BC), a elevação do superávit primário (economia para o pagamento de juros), o fim das desonerações tributárias e a alta dos juros no mercado futuro colocaram um freio na economia.

Mas o BC demonstra cada vez mais preocupação com o ritmo de crescimento do País – e tem preparado há meses o terreno para subir os juros, a fim de evitar um superaquecimento da economia. Os dados do varejo em janeiro, divulgados no mesmo dia em que saiu o PIB de 2009, reforçaram a preocupação da autoridade monetária.

As vendas subiram 2,7% em relação a dezembro de 2009, no melhor resultado da série histórica. A alta surpreendeu os analistas e também o governo. Para o BC, o varejo é entendido como a “cereja do bolo” de uma série de dados que mostram aceleração da atividade e pediriam juro mais alto para conter o risco de alta dos preços.

Entre os argumentos para o aperto monetário estão a criação de empregos formais e a expansão do crédito às famílias, fatores que elevam a demanda. O uso de 84% da capacidade das fábricas – o maior nível desde o agravamento da crise – pode indicar dificuldades de a indústria atender a essa demanda maior.

Fonte: Estadão

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